Seis empresas contratadas pela campanha de Castro têm quebra de sigilo determinada pelo TRE

Seis empresas contratadas pela campanha à reeleição do governador Cláudio castro (PL) terão o sigilo bancário quebrado por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), conforme revelou o telejornal RJ2 na edição de quarta-feira. Juntas, as empresas Cinqloc Empreendimentos, Car Service Logística e Eventos, WR Car Service Locação de Veículos e Eventos, Posto Novo Recreio, Vitoraci Comunicação e 8em7 Inteligência em Comunicação receberam mais de R$ 10 milhões de dinheiro do fundo eleitoral.

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A medida foi tomada pela desembargadora eleitoral Alessandra Bilac Pinto, que determinou “o afastamento do sigilo bancário de todas as contas de depósito, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras” pelas empresas.

Com a decisão, serão analisadas todas as movimentações financeiras das empresas entre agosto e outubro do ano passado. O Ministério Público Eleitoral, no âmbito deste mesmo processo, apontou irregularidades nos gastos da campanha do governador e chegou a pedir a cassação do diploma de Castro e de seu vice Thiago Pampolha. Para os procuradores, há indícios de que algumas das empresas contratadas não tinham condições de realizar os serviços contratados.

Uma das empresas investigadas pelo MPE, a Cinqloc, que teria sido contratada com o objetivo de mobilizar cabos eleitorais, recebeu pagamentos que ultrapassaram R$ 4 milhões da campanha. O RJ2 localizou a sede da Cinqloc, em uma casa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Até meados do ano passado, a dona da empresa era Evandreza Henrique, que concorreu a uma vaga na Alerj. Atualmente, a empresa tem como sócia-administradora Lucia Helena Siqueira Lopes de Jesus, de 65 anos.

Nos registros da Receita Federal a empresa tem como atividade principal o ramo de “concessionárias de rodovias, pontes e túneis”, algo bem diferente da atividade de mobilização de cabos eleitorais para a qual teria sido contratada.

Quase R$ 500 mil gastos com combustível

Outra empresa que terá as movimentações financeiras rastreadas é o Posto Novo Recreio, ligado ao empresário Fernando Trabach, que já foi preso acusado de participar de esquemas de corrupção. De acordo com as investigações, dos 12 postos contratados pela campanha de Castro, dez tinham alguma ligação com Trabach.

Em resposta ao RJ2, a campanha do governador e de seu vice informou que todas as contratações realizadas para o pleito foram regulares e os serviços prestados, além de todos os documentos comprobatórios terem sido reconhecidos pela Justiça Eleitoral, que aprovou as contas da campanha por unanimidade.

A WR Car Service afirmou ao telejornal que possui mais de 20 anos de mercado "sendo uma das principais empresas de locação, logística de eventos, tendo participado dos principais eventos, públicos e privados, no Rio de Janeiro e no Brasil". A locadora prossegue afirmando que "chega a ser ofensivo para nossa empresa e aos nossos colaboradores não nos acharem capacitados a atender a locação de 15 micro õnibus por 21 dias ao comitê de campanha". A reportagem não conseguiu contato com as outras empresas citadas.