Seis toneladas de peixes mortos são removidas de canal na Barra da Tijuca

Desde a tarde de sexta-feira (13) até o final de sábado (14), a Comlurb retirou seis toneladas de peixes mortos das margens do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A companhia informou que neste domingo (15), as margens do canal se encontram limpas e serão monitoradas para que o serviço de remoção dos peixes recomece quando chegarem na encosta novamente.

A Comlurb precisou usar redes e um caminhão compactador para transportar os componentes e resíduos, acumulados na encosta do canal desde sexta-feira. Foram deslocados, em média, 20 garis para realização da operação no local.

A mortandade dos peixes é relacionada à diminuição do oxigênio na água, que, por sua vez, está ligada à decomposição de matéria orgânica (esgoto). As chuvas recorrentes nos últimos dias podem ter aumentado a concentração desse material, já que carregou lixo e esgoto da cidade para dentro dos rios e, consequentemente, às lagoas e canais. As altas temperaturas também contribuem para a decomposição do esgoto nas águas, o que "rouba" o oxigênio, provocando asfixia dos peixes.

A poluição, efeito direto da ocupação desenfreada às margens do sistema lagunar, é uma das principais críticas feitas pelos especialistas. A época de maré alta ainda contribui para dificultar o escoamento.

Na sexta-feira, moradores e frequentadores da região denunciaram a concentração de milhares de peixes que boiavam às margens das águas.Desde então era possível ver os animais nas margens do local, com a presença de forte mau cheiro. Também morador da região, no condomínio Riviera, David Zee, que é professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj, explica:

— Essa grande quantidade de matéria orgânica vai matando os rios, que viram verdadeiros valões de esgoto. As lagoas se transformam numa fossa, é o que acontece na Barra. O calor começa a fermentar a matéria orgânica e consumir o oxigênio livre na coluna d’água. Os peixes que entram na lagoa para desovar, morrem sufocados e afundam. Só depois de três dias em decomposição começam a boiar.

O biólogo Mário Moscatelli acrescenta que a chuva foi apenas um dos fatores para a mortandade:

— Sabe aquele cara que leva uma vida desregrada: bebe, fuma, come mal? Come uma azeitona e morre. Não foi a azeitona que o matou. Foi o conjunto da obra. A chuva pode ter dado o empurrão final — explica.

Na própria sexta-feira, dia em que milhares de peixes mortos surgiram no canal, o Instituto estadual do Ambiente (Inea) informa que vistoriou o local durante a manhã, "para atender denúncia de mortandade de peixes". Segundo o órgão, "foram coletadas amostras de qualidade de água do Canal e encaminhadas para o laboratório do Inea para emissão de um parecer conclusivo sobre as causas da mortandade". O Inea observa também que, provavelmente, as causas da mortandade são: queda de oxigenação na água, somada à alta temperatura e à chuva, que teria carregado matéria orgânica ao local.

Em nota, a Comlurb reforçou que atua na remoção dos resíduos apenas quando chegam às areias das praias, e que a gestão ambiental tanto da Lagoa de Marapendi, quanto de demais lagoas de Barra e Jacarepaguá, são de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).