Seleção alemã cobre a boca na foto oficial antes da 1ª partida na Copa

Os jogadores alemães levaram as mãos à boca, simulando um gesto de censura, na foto oficial antes do início da partida contra o Japão, nesta quarta-feira (22), respondendo assim às ameaças de sanções por parte da Fifa, ao impedi-los de usar a braçadeira LGBTQIA+ durante o campeonato.

"Os direitos humanos não são negociáveis", escreveu a Federação Alemã de Futebol (DFB) no Twitter ao mesmo tempo.

A partida contra o Japão no Estádio Khalifa, em Doha, contou com a presença do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Diante dele e dos demais presentes, os jogadores alemães fizeram esse gesto, cobrindo a boca como forma de denunciar o ocorrido.

Sete federações europeias de futebol, incluindo a alemã, esperavam que seus capitães usassem uma braçadeira com a menção "One Love" contra a discriminação. Na segunda-feira, porém, desistiram da ideia, devido à ameaça de "sanções esportivas" feita pela Fifa, que não especificou quais seriam. Essa ameaça foi duramente criticada na Alemanha, onde houve inúmeros apelos para que seus jogadores se manifestassem.

Os alemães prepararam bem um gesto simbólico coordenado. Nas arquibancadas, a ministra do Interior responsável pelos Esportes, Nancy Faeser, usava a famosa braçadeira inclusiva "One Love" que os organizadores proibiram. Ela compartilhou a foto no Twitter e depois vestiu um casaco.

Quase ao mesmo tempo, a Federação Alemã enviou um comunicado, compartilhado nas redes sociais: "Com a nossa braçadeira de capitão, queríamos mostrar os valores que vivemos dentro da seleção: a diversidade e o respeito mútuo".

- "Inegociáveis" -

"Esta não é uma mensagem política: os direitos humanos não são negociáveis. Isso deveria ser uma evidência. Infelizmente, nem sempre é esse o caso. É por isso que esta mensagem é tão importante para nós. Nossa posição é clara", diz o texto.

Desde que conseguiu a organização do torneio, em 2010, o Catar tem enfrentado inúmeras críticas e denúncias em relação aos direitos humanos, principalmente da população LGBTQIA+.

Neste pequeno país muçulmano conservador, as relações sexuais fora do casamento e a homossexualidade são crimes. Apesar disso, as autoridades do Catar insistem em que "todos são bem-vindos" ao torneio.

Gianni Infantino tentou defender o Catar em entrevista coletiva no último sábado (19), véspera do início da competição.

"Hoje me sinto gay", disse ele mesmo durante seu discurso.

Mas o órgão que rege o futebol mundial se recusou a permitir que os sete capitães que planejavam usar as braçadeiras "One Love" materializassem o ato de protesto, propondo, em vez disso, uma série de mensagens alternativas como "Salve o planeta", "Educação para todos", ou "Não à discriminação".

"A Fifa é uma organização universal. Devemos encontrar questões que todos concordem", argumentou Infantino no sábado, avaliando que "a provocação não é o caminho certo" e que os direitos dos LGBTQIA+ são "um processo" que cada país segue em seu próprio ritmo.

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