Seleção dá adeus a um ano 'curto' com o jogo mais difícil: Uruguai

Igor Siqueira
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Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Em um dos anos mais estranhos do futebol, a seleção brasileira tem nesta terça-feira, contra o Uruguai, em Montevidéu, o quarto jogo de 2020. E já será o último. Teoricamente, é o mais difícil. Por isso, o clássico se apresenta como o fiel da balança para avaliar o saldo da primeira perna das Eliminatórias. A bola rola às 20h.

Esse Brasil 100% de aproveitamento no caminho rumo ao Qatar, isolado na liderança, precisava dar uma resposta à instabilidade de 2019, especialmente no período de amistosos pós-Copa América (uma vitória em seis jogos). Até agora, a seleção tem o melhor ataque, com dez gols, e uma das melhores defesas (sofreu dois).

O coronavírus mexeu no calendário, reduziu o período de trabalho de Tite com os jogadores e trouxe desafios físicos a reboque. O jogo de hoje, no Estádio Centenário, coloca diante do Brasil um oponente em pé de igualdade o que exige, de fato, uma boa apresentação.

— O Uruguai é uma equipe que vem sólida. Tradicionalmente, um clássico, com peso de camiseta, com atletas de alto nível. Vamos ser mais exigidos defensivamente. Paralelamente, vamos ter mais espaços para criações ofensivas — avaliou o técnico Tite.

O começo de 2020 prometia mais dois jogos pelas Eliminatórias, amistosos e a Copa América. A pandemia mexeu nos planos.

O desafio pela melhor faceta da seleção neste ano se dá justamente na convocação com maior número de problemas físicos desde que Tite assumiu. Foram oito cortes e, para completar, o volante Allan virou dúvida.

O jogador sentiu dor muscular após a vitória sobre a Venezuela, por 1 a 0, sexta-feira. Ele fez tratamento nos últimos dias e treinou ontem, mas Arthur está a postos para formar dupla com Douglas Luiz no meio.

Nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias, a adaptação foi à nova forma de atacar, formando um 2-3-5 na fase ofensiva. Para o encerramento do ano, a complexidade cresce porque a espinha dorsal da criação do time — Casemiro, Coutinho e Neymar — está fora por lesão. O cenário, inclusive, propicia a chance de consolidação a Everton Ribeiro como articulador.

— É um processo de evolução, inclusive de peças. É uma formação alternativa de meio-campo. São três peças centrais. Neymar hoje não é atacante de lado, é construtor. Mas é a oportunidade de consolidar e crescer — comentou o técnico, que na coletiva de ontem reconheceu a necessidade de evolução ofensiva no Brasil.

Mas Tite não é o único com motivos a lamentar. O Uruguai já tinha perdido o lateral-esquerdo Viña, por Covid-19, e ontem informou que também não terá o atacante Luis Suárez, pelo mesmo motivo. Outros infectados na deleção são o goleiro reserva, Rodrigo Muñoz, e o assessor de imprensa, Matías Faral. No Brasil, o lateral Alex Telles testou negativo e viajou.

Suárez também não jogou quando Tite e o Brasil estiveram pela última vez no estádio Centenário. A lembrança é boa, já que a vitória em 2017 foi por 4 a 1. Inclusive, o Brasil não perde para os uruguaios desde 2001.

Cavani é a principal referência do time celeste. O Brasil está preparado para formações nas quais o atacante do Manchester United atue mais centralizado e aberto pela direita.

Passado o jogo desta terça, o Brasil só voltará a atuar em março, contra Colômbia e Argentina, mais dois adversários complicados.