Seleção feminina segura pressão da Holanda e mantém invencibilidade na era Pia

Giulia Costa
Luana na dividida com Martens na estreia do Brasil contra a Holanda, no Torneio da França

Na estreia no Torneio da França, nesta quarta-feira, a seleção brasileira ficou no empate sem gols contra a Holanda em Valenciennes. No maior teste de Pia Sundhage desde que assumiu o comando, o time mostrou suas fraquezas, mas soube segurar a pressão da equipe vice-campeã do mundo. A treinadora fez boas descobertas durante as substituições, que indicam um bom caminho até Tóquio-2020.

Em entrevista coletiva na véspera da partida, a comandante sueca mostrou preocupação com a quantidade de convocadas para os Jogos Olímpicos — serão apenas 18. Para Pia, a solução seria encontrar jogadoras que atuem em mais de uma função, e no teste dessa quarta-feira ela encontrou uma boa opção: Luana improvisada na lateral direita foi a melhor do time com sobras. Originalmente meia, ela venceu grande parte dos confrontos com Martens e aumentou o nível da saída de bola brasileira do seu lado.

— Acho que fiz o meu melhor. Ainda tem muita coisa para melhorar, tivemos pouco tempo para treinar. A nossa linha de 4, apesar de nunca ter treinado junta, não foi mal. Fizemos um bom trabalho — disse Luana após o jogo.

O time titular desse jogo foi condicionado pelo problema de deslocamento até a França. Por conta de um atraso nos vôos, algumas jogadoras que atuam no Brasil foram poupadas, e Pia resolveu testar uma zaga "reserva", que se saiu bem. Daiane teve momentos de oscilação, mas a estreante Antonia se mostrou segura nas investidas das holandesas, principalmente no um contra um.

Outra novidade foi Natascha, que teve sua primeira oportunidade com a amarelinha. No lugar de Aline, que mal foi testada no primeiro tempo, a goleira de 22 anos fez grande defesa no chute forte de Van De Sanden.

O Brasil levou pressão nos dez primeiros minutos, mas aos poucos foi entrando no jogo. A Holanda teve maior facilidade de construir jogadas de ataque, mas faltou precisão no chutes para abrir o placar. Depois de algum sustos, a seleção brasileira melhorou a marcação e dificultou a saída de bola das adversárias

As melhores chances de gol vieram das arrancadas de Ludmilla pela esquerda, que não finalizou bem. A bola não chegou para Andressa Alves e Marta, que foram inoperantes no ataque e expuseram o problema crônico no meio de campo da seleção. A entrada de Bia Zaneratto, Cristiane e Thaisa no segundo tempo trouxa mais agressividade para o ataque.

O Brasil melhorou no início da segunda etapa, deixando o jogo mais equilibrado. O desgaste físico diminuiu o ritmo da seleção brasileira, e a Holanda soube aproveitar os espaços, mas sem pontaria. Com o resultado, a seleção brasileira mantém a invencibilidade na era Pia, com seis vitórias e três empates.

O próximo adversário do Brasil será a França, no sábado, às 17h. As anfitriãs venceram o Canadá por 1 a 0 no jogo de abertura do torneio.