Seleção: Thiago Galhardo é premiado com convocação em 'ano perfeito'

O Globo
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Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

A fila andou por causa das lesões na seleção. E coube a Thiago Galhardo receber um prêmio na última convocação de 2020. Ano que o próprio jogador considera como "perfeito". O atual artilheiro do Brasileirão, com 15 gols, vive o auge da carreira. Aos 31 anos, nunca foi tão relevante, nunca foi tão letal.

A fase no Internacional é espetacular e vem a reboque de uma mudança tática que nasceu da necessidade de suprir a ausência de Guerrero, que rompeu ligamento do joelho. Thiago Galhardo passou a jogar mais adiantado. Encontrou-se consigo mesmo e com o gol. Tanto que foi chamado por Tite para ser o substituto de Pedro no jogo do Brasil contra o Uruguai, terça-feira, em Montevidéu.

- Eu estou recebendo a melhor notícia da minha vida profissional, que é poder estar aqui. Um ano perfeito - disse ele, ao site da CBF, fazendo com um contraste com o dia 17 de novembro de 2019, quando perdeu a avó e, por isso, passou a usar o número 17 (justamente o que herdou na seleção).

Mais do que os 15 gols, o grau de influência de Galhardo no jogo do Inter se mede também por assistências. Foram cinco. O que faz dete ter uma média superior a uma participação de gol por partida no Brasileirão (fez 19 jogos).

Galhardo não é o mais veloz, não é o que mais dribla, mas achou no posicionamento e no oportunismo o caminho para o sucesso.

A progressão como jogador vem de 2019, quando vez o bom segundo semestre pelo Ceará, auxiliando o time na campanha que culminou com a fuga do rebaixamento na última rodada. E pensar que a temporada começou conturbada com a saída tensa do Vasco, por motivos nem tão bem explicados até hoje.

Como meia, Thiago Galhardo nunca foi um cara de muitos gols. E também não fincou raízes por muito tempo nos clubes pelos quais jogou. Em onze temporadas, está no 16º clube da carreira, tendo origem no Bangu.

Galhardo estava no radar da comissão técnica, mas não foi a primeira opção. E isso tem a ver com Neymar. O craque, claro, tem seu espaço garantido no Brasil, mas sofreu uma lesão na coxa esquerda e foi cortado. Pedro foi o substituto contra a Venezuela, mas teve um problema na coxa direita. Outro corte. O jeito foi recorrer a Thiago Galhardo. Na apresentação, olhos marejados pela emoção da notícia que recebeu.

- Quando o time vive um bom momento, facilita. Pelos números que eu tenho, isso te dá a credibilidade para sonhar, acreditar que poderia acontecer. Tite deu uma entrevista falando sobre mim, o Pedro e o Marinho. Você fica mais confiante. É triste pela lesão de um amigo. Mas é tristeza de uns e alegria de outros - disse Thiago Galhardo.

Após a derrota para o Santos, o jogador do Internacional já estava no avião, prestes a decolar para Porto Alegre, quando recebeu ouviu do coordenador da seleção, Juninho Paulista, que teria que sair. Por uma ótima causa.

Thiago Galhardo chegou à concentração acompanhado do lateral-esquerdo Guilherme Arana, que foi chamado também neste sábado depois que Alex Telles testou positivo para Covid-19.