Seleção: a um ano da Copa do Qatar, disputa por nove vagas no elenco segue aberta

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A antecedência de seis rodadas com que Tite classificou o Brasil para a Copa do Mundo do Qatar poderia induzir à ideia de que o grupo da seleção está praticamente fechado. Mas não é o caso. A um ano do Mundial no Oriente Médio, ainda há lacunas a serem preenchidas em todas as posições, à exceção do gol. O mesmo time que passeou nas Eliminatórias e que ganha corpo mais nítido entre os titulares vê uma competição bem aberta para nove das 23 vagas que existem.

A disputa mais imprevisível ocorre no ataque. Apenas Neymar e Gabriel Jesus podem ser considerados nomes certos entre os cinco ou até seis atacantes a serem chamados para o Qatar. Contra a Argentina, Raphinha, Matheus Cunha e Vini Jr. formaram o trio ofensivo, tiveram atuação elogiável no caldeirão de San Juan, mas estão longe de uma posição confortável no elenco.

Antony está na briga e Roberto Firmino não pode ser descartado, assim como Richarlison e Gabigol. Até mesmo Bruno Henrique e Pedro, ambos do Flamengo, podem alimentar esperanças, devido à ausência de um autêntico homem-gol à disposição. Entre os atacantes que já estiveram bem cotados com Tite, Everton Cebolinha, destaque na Copa América de 2019, foi quem mais perdeu espaço. Só uma grande reviravolta pode levá-lo à Copa. Rodrygo, apesar de jogar com regularidade no Real Madrid, não convenceu com a amarelinha.

Favoritismo

Justamente o ataque da seleção foi um dos pontos fortes apontados pelo “The Guardian” em reportagem que listou os favoritos ao título mundial. O Brasil aparece em primeiro no ranking, mais bem cotado até mesmo que a França. O surgimento de talentos ofensivos além de Neymar explica a empolgação. Tite, depois do empate com os argentinos, ressaltou a mesma qualidade:

— Foi um jogo em que no último momento perdemos nosso extraordinário jogador, o Neymar. Aí você vem e se recompõe, reestrutura a equipe, e joga de igual para igual com um Messi da vida. Tem muita coisa aí.

O único ponto fraco, na visão da publicação inglesa, são as laterais, hoje ocupadas por Danilo e Alex Sandro, ambos da Juventus. É muito difícil imaginá-los fora da convocação final, mas é o baixo nível de atuações da dupla que mantém a competição aberta até mesmo para Daniel Alves, em busca de sobrevida no mais alto nível nessa transferência para o Barcelona.

Vitoriosa e constante, a seleção de Tite que vai para o Qatar ainda não empolga. Isso ajuda a explicar tantas disputas que ainda ocorrem. Uma das posições sem maiores referências é o meio de criação. Lucas Paquetá está firme como titular, mas seu reserva é uma incógnita, pode ser desde Claudinho, destaque no Red Bull Bragantino e atualmente no Zenit (RUS), até os veteranos Everton Ribeiro e Renato Augusto. Até Raphael Veiga, em boa fase no Palmeiras, já foi citado por Tite como opção.

Na cabeça de área, Casemiro e Fabinho são unanimidades. Fred também conquistou seu espaço este ano. Quem despontou, no começo do ciclo, como futuro dono da posição foi Arthur. Mas depois de não vingar, nem no Barcelona, nem na Juventus, parece distante demais do Qatar para reverter o quadro.

Juventude em ascensão

Quando teve nas mãos um grupo que entregou não apenas resultados, mas também um futebol vistoso, o treinador o agarrou com unhas e dentes. Foi o que aconteceu no ciclo para a Copa da Rússia. Na ocasião, os únicos que conseguiram furar o elenco praticamente fechado ainda nas Eliminatórias foram Geromel, Taison e Fred. Facilitou a vida de Tite à época o grau de maturidade de muitos jogadores à disposição, titulares em suas equipes, muito próximos ou acima dos 30 anos.

Agora, as convocações promovem a ascensão da juventude que traz a reboque instabilidades da pouca rodagem. E são essas oscilações que tornam a competição interna por espaço mais parelha. Raphinha é o maior exemplo disso: empolgou nas primeiras convocações, saindo do banco de reservas, mas ao virar titular, não conseguiu ser tão insinuante. Está no bolo com outros tantos concorrentes.

A equipe que enfrentou a Argentina na terça-feira tinha uma média de idade de 26,5 anos, a menor do Brasil nestas Eliminatórias. Com tanto equilíbrio entre os candidatos, quem conseguir oscilar menos deve saltar na frente pelas vagas restantes até a lista final.

Até a convocação para a Copa do Qatar, o Brasil deverá disputar mais nove partidas, entre jogos restantes das Eliminatórias e amistosos. É o que Tite tem à disposição para preencher essas nove vagas abertas.

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