Seleção Brasileira virou produto comercial, mas não pode ser massa de manobra. Caboclo está numa sinuca política

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Tite e Rogério Caboclo, num evento da CBF. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Tite e Rogério Caboclo, num evento da CBF. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A Copa América será realizada no Brasil. Essa é a única certeza que o blog tem. Mas com quais jogadores? 

Jornalistas e a opinião pública foram surpreendidos com as posturas dos convocados da Seleção Brasileira, em silêncio há três dias, depois da confirmação do torneio em solo brasileiro. Tite veio para a entrevista coletiva antes do jogo contra o Equador, pelas eliminatórias sul-americanas, para revelar um desconforto dos atletas com a Copa América. Tite disse que o capitão Casemiro vai se pronunciar sobre a posição do elenco, depois da partida desta sexta-feira e, ao mesmo tempo, não quis falar sobre sua opinião. 

Conheço Tite desde 1995 e já o entrevistei inúmeras vezes. Está claro que Tite concorda com os atletas para não jogar a competição. Não quis falar por um acordo com seus convocados, sem dúvida. 

Nos meus quase 30 anos como profissional, ainda quero ver para crer jogadores brasileiros se negando a vestir a camisa da Seleção. Casemiro deve responder as seguintes perguntas.

Por que não querem jogar agora, se eles têm prazer em disputar as eliminatórias?

Se a Copa América fosse mantida para Colômbia e Argentina, jogariam?

Se querem férias, temem uma retaliação como foi feito com Gérson, que recusou um chamado para a Seleção Olímpica, em 2019, e ficou um ano e meio fora?

Imagino que os bastidores da Seleção e CBF estejam fervendo. Afinal, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, bancou o evento no Brasil. Se houver boicote dos jogadores "europeus", a Seleção será Sub-23, Sub-20 ou com nomes que atuam no Brasil? E a disputa da Série A do Brasileiro como fica, com times desfalcados?

Óbvio que isso não vai terminar bem. Caboclo está numa sinuca política e o seu mandato está escorrendo pelo ralo. Tite, ao apoiar os atletas, apostou alto e pode perder ou deixar o cargo. 

A Seleção Brasileira, que virou um produto comercial da CBF e um time antipático aos torcedores de clubes, não pode ser massa de manobra de nada. Triste realidade. 

 

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