Selena Gomez e Gwen Stefani nos ensinam que uma mulher pode usar o que quiser

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Selena Gomez e Gwen Stefani estão aí mostrando que mulher pode tudo sim, sempre1 (Foto: Reprodução/Instagram@selenagomez/@gwenstefani)
Selena Gomez e Gwen Stefani estão aí mostrando que mulher pode tudo sim, sempre1 (Foto: Reprodução/Instagram@selenagomez/@gwenstefani)

Por si só, Selena Gomez é uma estrela global. Uma das atrizes e cantoras mais famosas do mundo, dona de um dos maiores Instagrams do planeta (desculpa, Juliette!), a artista não precisa de muito para virar notícia. No entanto, no último final de semana foi isso o que aconteceu: ela virou manchete mais uma vez e por um motivo bem diferente do que as pessoas imaginam.

Em uma colaboração com a marca La'Mariette, Selena lançou uma coleção de moda praia e, claro, posou para as fotos da campanha como modelo das próprias criações. Mostrando, no entanto, uma grande mudança em relação ao passado, Selena aparece com um corpo que podemos chamar de "normal". Sem barriguinha chapada, com as marcas do biquíni na pele, as curvas de uma mulher de ascendência latina… enfim, uma mulher como todas as outras.

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Aliás, as fotos e o visual "vida real" não são só jogada de marketing. Elas têm a ver com a proposta da coleção e da própria marca. Segundo a revista "ELLE" norte-americana, o objetivo da colaboração era lançar uma linha "sobre inclusão, positividade corporal e celebrar o fato de que todos os corpos são lindos".

Selena, assim como boa parte das estrelas de Hollywood, foi ensinada a perseguir um ideal de beleza e um corpo perfeito, que, ao mesmo tempo, perpetuava um padrão para todas as outras esferas da sociedade. A própria Selena, aliás, já posou para a marca anos atrás, mostrando um corpo diferente do que ela apresenta agora, com certeza mais voltado para esse padrão.

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No entanto, depois de uma cirurgia de transplante de rins (a atriz sofre de lúpus e o procedimento foi uma consequência da doença), e de lidar, ela mesma, com as pressões do mercado e da sociedade e os efeitos de uma cicatriz no próprio corpo, começou a se tornar uma ativista em nome do body positivity.

Entra aí o impacto que essas imagens têm gerado nas pessoas, principalmente mulheres que acompanham a carreira de Selena. "Eu sou uma fã da sua verdade e coragem de ser você mesma. Obrigada!", escreveu uma seguidora na página oficial da marca no Instagram. "Ela não sabe o quanto significa para nós que ela esteja mostrando o seu lindo corpo natural… um verdadeiro exemplo a seguir", escreveu outra.

Esses elogios todos, claro, tem um motivo. É sempre importante lembrar da pesquisa feita pela gigante de cosméticos Dove, que anos atrás descobriu que apenas 4% das mulheres do mundo se consideram bonitas. Esse número é um reflexo de décadas de construção do que seria uma "mulher bonita": de preferência branca, loira, alta, magra e jovem - ou seja, é um padrão euro-centrado, que não considera as particularidades e belezas de diferentes raças, como o quadril das latinas ou o cabelo crespo das mulheres negras.

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Esse padrão foi vendido de diferentes formas, fosse em capas de revistas, em campanhas publicitárias e até mesmo no cinema e na televisão: por lá, só se viam mulheres que seguiam esse padrão. Ou seja, o referencial das mulheres mudou. Junte a isso uma sociedade machista, em que os homens se viam no direito de cobrar esse padrão das mulheres, já que detinham a maior parte do poder, sem cobrar o mesmo de si mesmos. É por isso, por exemplo, que não se questiona homens por não usarem maquiagem. O mesmo já não pode ser dito pelas mulheres.

Por isso, campanhas como essa, em que Selena mostra o seu corpo real, aparentemente sem retoques, natural e com o ar saudável que tem é uma quebra de paradigmas, algo que inspira mulheres de biotipo semelhante a seguirem o seu exemplo e não se sentirem inibidas ou envergonhadas de usarem um biquíni no próximo verão.

Muito se diz, ainda, sobre o tal "corpo de biquíni", o que seria um corpo ideal para usar uma peça de roupa como essa, mas o que Selena mostra com uma foto é o poder de se ter um corpo e o desejo de usar um biquíni. Não é preciso muito mais do que isso.

Um pouco sobre Gwen Stefani e o (micro) vestido de casamento

Já que estamos nesse assunto, podemos falar um pouco sobre Gwen Stefani e seu vestido de casamento maravilhoso? Aos 51 anos, a cantora também quebrou paradigmas. Primeiro, por decidir casar com o pacote completo: véu, grinalda, festa, cerimônia… tudo a que tem direito. De novo, em uma sociedade em que a mulher tem prazo de validade e deixa de ser considerada interessante depois de certa idade, comemorar um casamento nesse nível é, sim, uma quebra de paradigmas.

Depois, vem o próprio visual noiva. Uma belíssima criação de Vera Wang, a cantora usou um vestido tomara que caia, bastante decotado, que depois foi adaptado para uma saia curtíssima, com um véu estilizado combinado com um grande laço branco. É fácil quem vê de fora usar a carta do "mas ela é famosa, ela pode" para um look desses. E talvez isso seja verdade. Ainda assim, uma mulher de 51 anos exibir as pernas e o corpo dessa forma em uma cerimônia de casamento própria é, sim, notável.

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Muitos poderiam argumentar ainda que alguém da idade dela deveria casar de terninho, com uma roupa mais discreta, talvez até em uma cerimônia íntima, sem fotógrafos ou grandes anúncios. Que nada! Mais uma vez, é uma desconstrução do que seria um padrão. De fato, Gwen segue o padrão visual ideal: magra, alta e loira, branca. Ainda assim, passou dos 50 e, como Jennifer Lopez no Super Bowl, mostra que uma mulher pode se sentir poderosa e executar feitos incríveis (seja um show ou um casamento completo) em qualquer idade e com qualquer look.

A representação é válida, sempre. De fato, ainda precisamos caminhar muito para acabarmos de vez com os padrões de beleza - e as redes sociais, de certa forma, colaboraram para que mulheres que antes se sentissem invisíveis ganhassem visibilidade -, mas observar celebridades como Selena Gomez, que tem uma base de fãs jovens tão grande, e Gwen Stefani, uma veterana do mundo da música, explorando os seus corpos de diferentes maneiras é, no mínimo, incrível e inspirador.

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