Selic chega ao maior patamar em quatro anos. Entenda o que significa e os impactos da alta

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Você já deve ter ouvido falar que a Selic subiu: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na quarta-feira, elevar esta taxa de 6,25% para 7,75% ao ano. A alta de 1,5 ponto percentual é a maior desde dezembro de 2002, colocando a Selic em seu maior patamar em quatro anos. Mas você sabe o que isso significa? O EXTRA explica porque esses números movimentam tanto a economia e como impactam diretamente a sua vida.

— A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (Bacen) para controlar a inflação. Quando há um aumento na inflação ou nas expectativas de inflação, por exemplo, o Bacen deve elevar a Selic para controlar a demanda, o consumo, de tal modo que reduza às pressões de alta nos preços, encarecendo, especialmente, as compras a prazo — explica Silvia Okabayashi, coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

A Selic é conhecida como a taxa básica de juros. Quando ela sobe, todo o crédito fica mais caro.

— De uma maneira muito simples, ela é determinada pelo governo como a taxa que ele está disposto a pagar pelo dinheiro que capta no mercado. Então, sendo uma taxa mínima de juros, baliza as instituições financeiras. Se ao captarem recursos as instituições vão pagar uma Selic mais alta, na hora de emprestar vão ter que subir a taxa também. Ou não ganhariam dinheiro. Assim é que o crédito fica mais caro para todos, seja empresa ou pessoa física — explica Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV.

Crediário de loja, crédito pessoal e cartão de crédito

Se uma empresa precisa tomar dinheiro para financiar sua produção, o crédito fica mais caro. Para as pessoas físicas também, no crediário, no cartão de crédito, no empréstimo pessoal e até no financiamento de carro. E o impacto vai além:

— As alterações na Selic afetam direta e indiretamente nossa vida. Do ponto de vista das empresas, estas, a partir do aumento da taxa, vão pensar duas vezes antes de fazer um investimento produtivo, capaz de manter e gerar empregos e renda, pois se ela está alta significa que a conjuntura econômica está dando sinais de desestabilização, pois está sendo necessário controlar a inflação. Além disso, uma taxa de juros alta pode desviar o dinheiro que poderia ser transformado em investimento, para a aplicações financeiras que rendam mais em menor tempo aquilo que teriam de lucro. Para as famílias, estas pagarão pelo custo do financiamento das empresas, que encarecerá. Ou seja, pagarão mais caro pelos produtos, principalmente os de maior valor agregado, como eletrodomésticos, eletrônicos, carros e imóveis. E, para o governo, a elevação da Selic acarretará uma maior despesa com o pagamento de juros, no futuro, ou seja, o financiamento do setor público vai se elevar — pontua Silvia Okabayashi.

Como fica o mercado automobilístico?

No mercado automobilístico atualmente, a produção de novos carros está reduzida, por falta de semicondutores. E quem precisa de um veículo tem recorrido aos seminovos, que tiveram um boom de vendas. Se as taxas de juros para financiamentos de veículos usados são maiores naturalmente, o novo aumento da Selic deve tornar ainda mais caro tomar esse crédito. No entanto, especialistas ainda divergem se essa diferença pode frear o mercado.

— O financiamento dos carros usados deve-se elevar substancialmente, podendo trazer, inclusive, uma retração nesse mercado. Mas, como o objetivo do Bacen é controlar a inflação, então são esses os efeitos esperados — afirma Silvia Okabayashi: — O problema é que com a elevação da taxa de juros, numa economia em que há mais de 13 milhões de pessoas desocupadas, os efeitos colaterais, especialmente para aqueles que têm menor poder aquisitivo, podem ser bem mais sentidos, principalmente no curto prazo.

Por outro lado, para Ricardo Teixeira, como o mercado está aquecido, isso deve ser minimizado.

— O impacto dessa subida no preço do final do veículo, para quem compra à vista, é pequena. Para quem financia, há uma diferença sim no valor final, mas no mês a mês não é relevante. Então, neste momento, sem carro novo no mercado para comprar, e com o mercado aquecido, não impacta tanto — opina ele, dando como dica a quem tem interesse de adquirir um automóvel: — É interessante pensar em antecipar a compra, se pretendia fazê-la e tem condição. Os carros que as concessionárias já têm no estoque não terão impacto da alta da Selic.

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