Sem acordo sobre quebra de sigilo de Carlos Bolsonaro, CPI adia votação de requerimentos

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BRASÍLIA - Por falta de acordo entre os membros da comissão, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), adiou a votação de requerimentos prevista na pauta desta terça-feira para chegar a um consenso sobre a quebra de sigilos telefônicos de pessoas ligadas ao Palácio do Planalto. A discussão ocorreu após Aziz incluir o filho do presidente da República, Carlos Bolsonaro, e outras sete pessoas na mira do colegiado. A tendência é que os dados de Carlos fiquem fora da lista de solicitações, ao menos por ora.

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Para dar tempo de chegar a um entendimento sobre o assunto, os senadores do 'G7' definiram que a votação dos pedidos de quebra de sigilo devem ficar para a sessão de quarta ou quinta-feira desta semana. Além da Carlos, Aziz incluiu na pauta dois ex-ministros do governo, Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), além do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, e outros auxiliares.

De acordo com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o colegiado deve aprovar "vários" requerimentos de quebra de sigilo na quarta-feira, mas Carlos não deve entrar na lista "por enquanto". Omar Aziz também garantiu que haverá votação dos pedidos de quebra de sigilo esta semana.

Autor dos oito requerimentos, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que o tema ainda está em debate e todas as opções estão em discussão. Mais cedo, ele defendeu que a ideia é avançar sobre o “gabinete paralelo” de aconselhamento de Bolsonaro na pandemia através das solicitações:

— Há a necessidade de apurar de forma aprofundada os relacionamentos entre aqueles que participavam de uma estrutura de assessoramento e aconselhamento na tomada de decisões do presidente da República na pandemia — disse.

Vieira defende a quebra de sigilo desde o início para avançar nas investigações, mas enfrenta resistência.

— A gente tem a necessidade de, numa investigação de um pouco mais de profundidade, usar quebras de sigilo. Eu não consegui colocar em votação nenhuma quebra porque vários colegas não entendem bem o instituto, o que podem ou não fazer. Isso vai retardando o funcionamento, porque quebras não são coisas instantâneas. Se eu quebrar no último dia de CPI não vai adiantar nada — disse ao GLOBO no final de maio.

Alguns senadores, entretanto, não estão convencidos de que a medida deve ser tomada no momento e alegam que é preciso ter mais informações para fundamentar a decisão, com intuito de evitar eventuais questionamentos na Justiça.

— É preciso fortes evidências — afirmou o senador Otto Alencar (PSD-BA).