Sem aliança, Adriana Ancelmo chega para prestar depoimento sobre uso irregular de helicópteros

Bernardo Mello
A ex-primeira dama Adriana Ancelmo e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral durante celebração de um ano da UPA na Maré, em 2008.

RIO — A ex-primeira-dama Adriana Ancelmo chegou à 32ª Vara Criminal do Rio, nesta quinta-feira, acompanhada do advogado Alexandre Lopes. Adriana, que não quis dar declarações à imprensa, não usava aliança. Ela e seu marido, o ex-governador Sérgio Cabral, prestam depoimento ao juiz André Felipe Veras de Oliveira no caso que apura o uso irregular de helicópteros do governo do estado para voos de cunho pessoal, entre 2007 e 2014.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MP-RJ), foram cerca de 2,5 mil voos irregulares, gerando um prejuízo de mais de R$ 19 milhões aos cofres públicos. A denúncia contra Cabral e Adriana Ancelmo foi aceita em abril de 2018.

Embora outras audiências de Cabral tenham sido abertas à imprensa, o juiz André Felipe Veras de Oliveira impediu o acesso de jornalistas aos depoimentos desta quinta-feira. O magistrado atendeu a um pedido da defesa de Cabral, que argumentou que o ex-governador precisaria ser preservado de exposição, por ter firmado acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Cabral chegou a pedir o adiamento da audiência desta quinta-feira, mas este pedido foi negado pelo magistrado.

Apesar de continuem casados no papel, o ex-governador e a advogada estão separados quando o assunto é a defesa nos processos da Lava-Jato. Desde o primeiro momento, eles foram atendidos por advogados diferentes. Cabral se abriu mão de proteger a ex-mulher no mês passado, quando, na condição de delator, afirmou que ela sabia da existência de seu "caixa paralelo", feito de dinheiro público desviado da administração estadual fluminense e propinas.