Sem aperto de mãos, Biden inicia viagem ao Oriente Médio com menções ao Irã e foco no petróleo

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O presidente americano Joe Biden desembarcou nesta quarta-feira em Israel, a primeira parada de sua primeira viagem ao Oriente Médio, e que, embora a Casa Branca não admita, tem como maior prioridade garantir ao menos promessas de que países produtores de petróleo vão aumentar a oferta no mercado.

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Além do preço da gasolina, Biden discutirá a segurança regional, com foco no Irã, mas sem expectativa de anúncios importantes — a própria decisão de evitar apertar as mãos de seus anfitriões, alegadamente por causa da Covid-19, simbolizou o afastamento dos EUA da região no atual governo.

Antes da chegada do presidente americano a Israel, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, confirmou que a Casa Branca está em contato com aliados na Europa, além de países produtores, como as monarquias árabes do Golfo, para trabalhar pela “segurança energética” dos EUA. Biden discutirá o tema na sexta-feira, na segunda escala da viagem: a Arábia Saudita.

—Nós queremos ver uma oferta adequada de energia no mercado, para garantir que estamos sustentando um forte desempenho econômico, e que não estamos prejudicando os consumidores nos postos — declarou Sullivan, a bordo do avião presidencial. — Também queremos que o fornecimento de energia seja sustentável ao longo do tempo, o que significa ter uma capacidade reserva como parte da equação.

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Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro, e com a decisão de Washington de cortar as importações de petróleo da Rússia, a cotação do barril disparou — hoje está em torno de US$ 95 —, o que levou também ao aumento dos preços dos combustíveis nos EUA.

O impacto foi duro na aprovação de Biden, agora em torno de 30%, segundo pesquisa do New York Times, e pode levar os governistas a uma derrota nas eleições de novembro, perdendo o controle da Câmara e do Senado para os republicanos.

Com uma inflação de 9,1% ao ano, divulgada nesta quarta-feira, Biden tem pressa para apresentar resultados, e a viagem ao Oriente Médio é uma prova disso: inicialmente, o presidente, que tem colocado a região em segundo plano, visitaria apenas Israel e Cisjordânia, mas incluiu uma escala na Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, mas também criticada pelo seu histórico de violações dos direitos humanos e assassinato de dissidentes.

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Até o momento, não há sinais de que essas questões serão discutidas com os sauditas, especialmente com Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e apontado pela inteligência dos EUA como um dos responsáveis pela execução do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018. Sobre o petróleo, Sullivan se mostrou mais confiante.

— Eu tenho a confiança de que, depois que o presidente puder interagir com as lideranças sauditas e seus parceiros do Golfo, ele poderá demonstrar progressos materiais para o povo americano em termos de coisas que interessam a eles, e em termos de paz e segurança regional — disse Sullivan, sem querer explicar o que seriam esses progressos materiais.

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Segundo analistas, as monarquias do Golfo talvez não tenham capacidade para causar um impacto significativo no mercado — Moscou também ameaçou, em algumas ocasiões, suspender todas suas vendas ao exterior, e o ex-presidente Dmitri Medvedev chegou a dizer que isso levaria o preço do barril “ a até US$ 400”.

Distância segura

Ainda em Israel, Biden preferiu manter distância de discussões como sobre a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos, em ponto morto há quase uma década. Ao lado do premier interino Yair Lapid, defendeu a solução de dois Estados, mas reconheceu que é um objetivo ainda distante.

A própria decisão de Biden de não apertar as mãos dos representantes de Israel no aeroporto foi considerada por analistas um símbolo do distanciamento dele em relação à política regional. A Casa Branca afirma que foi uma medida é uma forma de proteção contra a Covid-19, mas, nos últimos dias, ele cumprimentou normalmente congressistas e apoiadores em eventos nos EUA.

Na quinta-feira, Biden se reunirá com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Belém, e anunciar uma ajuda de US$ 100 milhões a hospitais palestinos. O secretário de Estado, Antony Blinken, fez um convite à família da jornalista Shireen Abu Akleh, da rede al-Jazeera, morta em Jenin na Cisjordânia, para visitar Washington. Investigações mostraram que ela foi atingida por balas israelenses, mas os EUA declararam não haver sinais de que os disparos foram intencionais.

No discurso em Tel Aviv, o presidente declarou seu apoio “inquebrantável” ao Estado de Israel, defendendo a integração do país na região, um processo iniciado por Donald Trump e que levou à normalização de laços com Bahrein e Emirados Árabes Unidos, além de Marrocos, no Norte da África. Biden gostaria de levar de volta a Washington algum tipo de compromisso semelhante entre Israel e Arábia Saudita, mas Riad deixou claro que se trata de um processo de longo prazo.

— A conexão entre os povos americano e israelense é profunda. Tenho orgulho de dizer que as relações dos EUA com Israel hoje são mais profundas e fortes do que nunca — declarou Biden.

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O presidente americano chega a um país rachado politicamente e a poucos meses de novas eleições legislativas — por isso, tentará não passar a imagem de que a Casa Branca prefere um dos candidatos. Além de Lapid, Biden vai se encontrar com o ex-premier Benjamin Netanyahu, um desafeto que não esconde seu apoio a Donald Trump, e que as pesquisas apontam como favorito.

Biden, por sua vez, abordará nos encontros uma das poucas questões relativamente unânimes em Israel: o Irã. A Casa Branca quer lançar as bases para um sistema regonal integrado de defesa, formado por israelenses e nações árabes aliadas, para enfrentar possíveis ataques.

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Desde a decisão do ex-presidente Donald Trump de rasgar o acordo internacional sobre o programa nuclear do Irã, em 2018, houve uma deterioração do quadro de segurança regional, e as negociações para a retomada do plano estão estagnadas, com divergências entre os signatários e forte oposição de Israel e Arábia Saudita.

Em resposta à viagem de Biden, o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, disse que a presença do líder americano em Israel não criará um ambiente mais seguro.

— Se as visitas de representantes dos EUA aos países da região são para fortalecer a posição do regime sionista [Israel] e normalizar as relações do regime com alguns países, seus esforços não criarão segurança para os sionistas — disse Raisi.

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