Sem apoio, republicanos desistem de votar Trumpcare na Câmara

ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Mesmo após uma mobilização intensa, o governo Trump e a liderança republicana não conseguiram o apoio que precisavam na Câmara para aprovar a proposta de substituição do Obamacare e retiraram da pauta o texto, que deveria ser votado nesta sexta (24).

Os republicanos só poderiam ter 22 deserções entre os 237 deputados partidos. No início da tarde, o presidente da Câmara e autor do projeto da chamada Lei de Saúde Americana, Paul Ryan, foi até a Casa Branca para avisar o presidente que não tinha conseguido os votos para a aprovação.

Segundo a imprensa americana, Trump teria pedido que a proposta então não fosse submetida a votação.

A liderança do partido chegou a adiar, em algumas horas, a votação, que estava prevista para ocorrer na noite de quinta, para tentar conquistar mais alguns votos entre os conservadores.

Na noite de quinta, o diretor de orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, enviou um recado do presidente para que os republicanos contrários à proposta votassem a favor do texto sob o risco de não haver mais planos para substituir o Obamacare.

Trump havia recebido horas antes deputados do chamado "Caucus da Liberdade", bancada que representa a ala mais conservadora da legenda e feito mais uma concessão ao grupo, aceitando acabar com as exigências de que os planos de saúde ofereçam uma série de coberturas, como serviços emergenciais, cuidado pré-natal e cobertura para doenças mentais.

Essa era uma das exigências do grupo conservador, que considera que manter a obrigatoriedade dos chamados "benefícios essenciais" é um entrave à redução dos valores dos planos de saúde. Na última segunda (20), ele já havia voltado atrás em termos do Medicaid (voltado para os mais pobres).

Nem todos do grupo ficaram felizes com a concessão, contudo. Alguns republicanos defendem ainda o fim da proibição de que planos recusem pessoas com doenças pré-existentes. Também querem a revisão do termo do Obamacare que permite que pessoas de até 26 anos sejam dependentes dos seguros dos pais.

O texto ainda enfrentava resistência entre os republicanos mais ao centro, que não gostaram das projeções apontando que 24 milhões de pessoas perderiam a cobertura de saúde nos próximos dez anos com o projeto de Ryan. O cálculo foi feito pelo Congressional Budget Office (CBO), agência não partidária ligada ao Congresso, e contestado pela Casa Branca e pelos autores da proposta.