Sem apresentar provas, Bolsonaro levanta suspeitas sobre efeitos colaterais de máscara

Gustavo Maia
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BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, sem apresentar nenhuma prova, que começaram a aparecer efeitos colaterais do uso de máscaras na proteção contra a Covid-19. Ele citou um estudo de "uma universidade alemã", sem especificar qual, que apontaria a proteção como prejudicial a crianças, com uma série de efeitos adversos.

A declaração, feita durante transmissão ao vivo pela internet, ocorreu no dia em que o Brasil registrou o recorde de mortes em um dia e superou a marca dos 250 mil óbitos por conta da pandemia da Covid-19. O país enfrenta ainda um colapso iminente do atendimento hospitalar em diversos estados brasileiros.

— Pessoal, começam a aparecer estudos aqui, não vou entrar em detalhe, né?, sobre o uso de máscaras. Que, num primeiro momento aqui uma universidade alemã fala que elas são prejudiciais a crianças, e levam em conta vários itens aqui, como irritabilidade, dor de cabeça, dificuldade de concentração, diminuição da percepção de felicidade, recusa em ir para a escola ou creche, desânimo, comprometimento da capacidade de aprendizado, vertigem, fadiga... Então começam a aparecer aqui os efeitos colaterais das máscaras, tá ok? — declarou o presidente no meio da sua live semanal de quinta-feira, olhando para um papel.

Bolsonaro disse que não entraria em mais detalhes sobre a questão porque, segundo ele, "tudo desagua em crítica" contra ele. E sinalizou mais uma vez ser contrário ao uso das máscaras, apesar de o equipamento ser recomendado pelo Ministério da Saúde contra o novo coronavírus.

— E eu tenho a minha opinião sobre máscara, cada um tenha a sua. Mas a gente aguarda um estudo mais aprofundado sobre isso por parte de pessoas competentes — declarou.

O presidente demonstra resistência ao uso de máscaras desde o início da pandemia, em março do ano passado, e já declarou, em novembro, que elas serão "o último tabu a cair", questionando sua "efetividade".