Brasil 'perdeu' 4,5 milhões de doses da vacina da Pfizer por atraso na resposta

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BRAZIL - 2021/04/12: In this photo illustration the medical syringe is seen with Pfizer company logo displayed on a screen in the background. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Brasil poderia somar mais 18 milhões de doses da Pfizer até o fim de junho de 2021, segundo ofertas iniciais (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
  • Oferta feita entre agosto e setembro previa entrega de 18,5 milhões de doses até junho de 2021

  • No contrato firmado em março, Brasil comprou 14 milhões de doses até junho de 2021

  • Sem o atraso, país poderia ter 4,5 milhões de doses a mais

Caso o Brasil tivesse respondido as ofertas iniciais da Pfizer, feitas entre agosto e setembro de 2020, poderia ter 4,5 milhões de doses a mais da vacina contra a covid-19 até junho. 

Na terceira oferta feita pela Pfizer, com total de 70 milhões de doses, foram oferecidas: 

  • 1,5 milhão de doses em 2020

  • 3 milhões de doses no 1º trimestre

  • 14 milhões de doses no 2º trimestre

No total, o governo teria 18,5 milhões de doses da vacina até o fim de junho de 2021. 

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No entanto, o contrato só foi firmado em março de 2021. O documento acorda que o Brasil receberá 14 milhões de doses até o fim do próximo mês. Dessa forma, o país "perdeu" 4,5 milhões de vacinas por causa do atraso em responder a empresa. 

Segundo o ex-CEO da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, foram feitas três ofertas ainda em 2020. As propostas da farmacêutica ficaram dois meses sem respostas, quando o ex-secretário de comunicação, Fabio Wajngarten, informou o presidente Jair Bolsonaro sobre os documentos. 

Veja as propostas detalhadas por Murillo: 

Primeira oferta, 14 de agosto (30 milhões)

  • Em 2020: 500 mil de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 1,5 milhã de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 5 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 14 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 9 milhões

Primeira oferta, 14 de agosto (70 milhões)

  • Em 2020: 500 mil de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 1,5 milhão de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 5 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 33 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 30 milhões

Segunda oferta, 18 de agosto (30 milhões)

  • Em 2020: 1,5 milhão de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 1,5 milhão de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 5 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 14 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 9 milhões

Segunda oferta, 18 de agosto (70 milhões)

  • Em 2020: 1,5 milhão de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 1,5 milhão de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 5 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 33 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 29 milhões

Terceira oferta, 26 de agosto (30 milhões)

  • Em 2020: 1,5 milhão de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 2,5 milhões de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 8 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 10 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 8 milhões

Terceira oferta, 26 de agosto (70 milhões)

  • Em 2020: 1,5 milhão de doses

  • Primeiro trimestre de 2021: 3 milhões de doses

  • Segundo trimestre de 2021: 14 milhões de doses

  • Terceiro trimestre de 2021: 26,5 milhões de doses

  • Quarto trimestre de 2021: 25 milhões

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.

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