Sem auxílio emergencial, empreendedorismo pode ser a saída para garantir o sustento da família

Stephanie Tondo
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Com o fim do auxílio emergencial e o desemprego em alta no país, os brasileiros que vinham contando com o dinheiro para sobreviver durante a pandemia terão que recorrer novamente ao mercado informal para garantir a renda da família. Para especialistas, é possível conseguir, com o empreendedorismo, um faturamento mensal entre R$ 300 e R$ 600 — valor do benefício pago pelo governo. No entanto, é preciso persistência e muito planejamento para que o negócio dê certo.

Mãe de dois filhos, Suzany Justino, de 27 anos, recebeu auxílio no valor dobrado, por ser chefe de família. Foram cinco parcelas de R$ 1.200, e depois mais quatro parcelas da extensão, de R$ 600 cada. Em dezembro, quando percebeu que o benefício estava chegando ao fim, ela decidiu voltar a fazer bolo de pote para vender. No entanto, o lucro com as vendas tem ficado na faixa de R$ 200, e não é suficiente para arcar com todas as despesas da casa.

— Ofereço os bolos na vizinhança, no grupo de moradores, e a procura é boa, mas está todo mundo meio apertado. Assim como eu, outras pessoas estão sofrendo com o fim do auxílio. Penso em expandir, em começar a vender em outros lugares, colocar pessoas para oferecer o meu produto — diz Suzany.

Consultor de Negócios e professor do Ibmec, Luiz Barbieri afirma que, assim como o empreendimento de Suzany, muitos negócios começam pequenos, por necessidade, mas têm potencial para crescer. Para isso, é importante estudar o mercado e utilizar as ferramentas disponíveis, como as redes sociais, por exemplo.

— Negócios no segmento de alimentação cresceram muito nas redes sociais, principalmente no Instagram. É importante encontrar o diferencial para o produto e, principalmente, saber comunicar esse diferencial para o público, e despertar o desejo de consumo — afirma Barbieri.

Carla Panisset, coordenadora de Comunidade Sebrae, também ressalta a importância que o WhatsApp ganhou para os negócios:

— Nas comunidades, dois setores que mais geram oportunidades são alimentação e beleza. Mas mesmo os vizinhos vão demandar o produto ou serviço pelo aplicativo de mensagens. É importante aprender a fazer essas vendas pela internet.

Além dos bolos de pote, Suzany começou a fazer bolos confeitados no ano passado, enquanto ainda recebia o auxílio do governo. Mas como a quantidade de festas diminuiu com a pandemia, a frequência de encomendas não era alta. Agora, a confeiteira pensa também em fazer uma parceria com a vizinha, que vende salgadinhos, para oferecer kits festa aos clientes.

— Às vezes as pessoas me pedem kit festa, mas não consigo pegar trabalhos que demandem muito tempo porque meus dois filhos possuem problemas de saúde. E salgadinhos dão muito trabalho, então sugeri à minha vizinha de fazer essa parceria. Ela fornece os salgadinhos e eu o bolo — conta.

Para Carla Panisset, coordenadora de Comunidade Sebrae, a colaboração é um fator importante no sucesso dos empreendimentos, pois permite que o trabalhador atenda a uma demanda maior do que a que conseguiria sozinho, por exemplo, além de possibilitar compras maiores, que reduzam o custo dos insumos. As parcerias também podem incluir as entregas, com a ajuda de mototáxis ou motoristas de aplicativo.

— O ótimo é quando a demanda é maior do que o empreendedor é capaz de atender, porque aí pode chamar os vizinhos, dividir os lucros — brinca. — A colaboração é sempre um ponto de sucesso. Muitas vezes os empreendedores enxergam os outros como concorrentes, mas o que a gente percebe é que essa troca sempre tem mais resultado no sentido de colaboração do que a canibalização.

Todo empreendimento envolve riscos. No entanto, se houver planejamento, a chance de sucesso é maior, garante o professor Luiz Barbieri. Entre os pontos mais importantes para ser analisados antes de dar início ao empreendimento estão o autoconhecimento, para avaliar se a pessoa tem afinidade com a área de atuação, o conhecimento da concorrência, do público e da estruturação do negócio.

— Por isso fazer um plano de negócios é fundamental. É preciso pesquisar antes de empreender para entender quanto o público pagaria pelo seu produto, qual vai ser custo mínimo, quanto de lucro é possível colocar, como será a logística de entrega — afirma Barbieri, que também recomenda testar o produto antes de vender. — Faz o bolo, dá para 15 pessoas sem cobrar nada e veja o que elas vão dizer.

Outro ponto importante é o capital inicial do negócio, que pode ser baixo, mas muitas vezes é uma quantia que o trabalhador não possui naquele momento. Por exemplo, o valor necessário para comprar os insumos para fazer um bolo. Nesse caso, vale à pena avaliar se é possível pegar dinheiro emprestado com algum amigo ou familiar, ou recorrer a uma instituição bancária.

Por fim, Carla Panisset ressalta a importância se buscar capacitação, seja para aprimorar as técnicas ou aprender sobre gestão e administração. O Sebrae oferece diversos cursos gratuitos que podem ser acessados até mesmo pelo WhatsApp. Informações estão disponíveis em 0800 570 0800.

Boas práticas nos serviços de alimentação

Este curso online gratuito do Sebrae ajuda a compreender as questões relacionadas à segurança alimentar no processo de elaboração dos alimentos, nas formas de armazenamento e conservação e em outros importantes conceitos e práticas que aprimorarão seu negócio. Duração: 20h. Inscrições em bit.ly/3oNeq5T.

Como vender mais e melhor

Aprenda a definir metas e ações para conquistar mais clientes e gerar melhores resultados para o seu negócio. O curso é online e gratuito, promovido pelo Sebrae. Duração: 8h. Inscrições em bit.ly/2LmGMq1.

Como controlar o fluxo de caixa

Neste curso online e gratuito do Sebrae, o empreendedor terá contato com ferramentas que ajudarão a lidar melhor com o dinheiro que circula na empresa e aprenderá a elaborar a planilha para controlar o fluxo de caixa. Duração: 2h. Inscrições em bit.ly/39Qyi3M.

Receita de sucesso: cardápio, cozinha e alimentos

Aprenda estratégias e técnicas sobre a elaboração, o planejamento e a atratividade dos cardápios. O curso online e gratuito do Sebrae também ensina sobre o fluxo de trabalho e os controles necessários para o monitoramento da gestão operacional na produção e manipulação de comidas. Duração: 3h. Inscrições em bit.ly/36KwjvX.

Brigadeiro Gourmet

O objetivo deste curso do Senac é apresentar diferentes receitas de brigadeiro gourmet, modo de preparo, decoração e embalagem, possibilitando a comercialização. As aulas são online e têm duração de 20 horas. O valor do curso é de R$ 86,42. Mais informações em https://bit.ly/39U4ymV.

Maquiagem Básica

O objetivo deste curso é fazer com que o aluno adquira conhecimentos básicos de maquiagem e identifique alguns elementos necessários para aplicá-la. As aulas são online e têm duração de 20 horas. O valor do curso é de R$ 86,42. Mais em https://bit.ly/3pOYy4e.

Shell Iniciativa Jovem

Jovens de 20 a 34 anos, com ensino médio completo e residência fixa no estado do Rio podem se candidatar para participar do programa de empreendedorismo Shell Iniciativa Jovem. Interessados devem se inscrever no site www.iniciativajovem.org.br até o dia 28 de fevereiro. A ação capacita jovens para o desenvolvimento de negócios sustentáveis e de impacto social.