Sem barcas e com alagamentos, Charitas aguarda revitalização da orla e obras de drenagem

Leonardo Sodré
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NITERÓI — Planejado para ser o ponto de transbordo de quem usa a Transoceânica, o bairro de Charitas, que recebeu uma série de intervenções no trânsito nos últimos anos, incluindo a construção de uma garagem subterrânea, é um dos que mais sofrem os efeitos da pandemia. Com a estação das barcas desativada, a plataforma terminal do BHLS subutilizada e o fechamento de parte do comércio, o cenário de abandono fica ainda mais evidente na orla quando chove e os alagamentos aparecem. A prefeitura diz que lançará este mês um concurso para escolher um projeto de arquitetura para um novo passeio no calçadão e prepara obras de drenagem para solucionar alagamentos — estas ainda sem previsão.

O percurso que representa uma extensão do polo gastronômico de São Francisco hoje sofre com a pandemia. Antes mesmo da crise sanitária, o tradicional Bar Itália, na Avenida Prefeito Sílvio Picanço, já havia fechado as portas. Atualmente, o Siri, o Chalé e o Verdanna funcionam por delivery, devido a medidas de restrição. Síndico do edifício Miraggio, Vinicius Amorim diz que os enormes bolsões d’água na Sílvio Picanço se tornaram recorrentes após a construção da garagem subterrânea, há quatro anos.

— Antes, era necessário muita chuva para alagar. Depois da obra, qualquer chuvinha alaga. Não podemos mais investir em paisagismo nos canteiros que ficam na calçada do condomínio porque os alagamentos destroem tudo. Já tivemos diversas reuniões com representantes da prefeitura, que prometem o início da obra. Mas até hoje ela não saiu do papel — reclama.

A prefeitura diz que a Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (Emusa) concluiu o projeto para drenagem da Avenida Professor Silvio Picanço no ano passado. A obra contempla o trecho entre a saída do Túnel Charitas-Cafubá e a Praça do Radioamador, em São Francisco, e promete acabar com os bolsões d’ água que se formam nas pistas. No entanto, a Emusa aguarda liberação de recursos para realizar a licitação, e a prefeitura não informou quando eles estarão disponíveis.

Para reurbanizar a orla de Charitas, a prefeitura assinou um contrato com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), publicado na edição do Diário Oficial do município na última quinta-feira, para a coordenação de um concurso público de estudo preliminar da obra. Os detalhes da seleção, segundo a prefeitura, serão divulgados ainda este mês. O prazo para a realização da concorrência é de cinco meses, a um custo estimado de R$ 500 mil. A prefeitura não deu previsão para o início da obra.

Sem barcas

Fechada desde março do ano passado, a Estação das Barcas de Charitas teve os flutuantes usados para embarque de passageiros retirados pela concessionária CCR Barcas há algumas semanas. Morador do bairro, Paulo Roberto Araújo acredita que as embarcações não atracarão mais no local.

— Mesmo antes da pandemia, o serviço de barcas aqui já estava sendo reduzido gradualmente. Agora, não voltam mais. Charitas virou um bairro dormitório — considera.

A CCR Barcas diz que o flutuante está passando por manutenção e defende que a interrupção do serviço de transporte no local foi estipulado por decreto, que dispõe sobre as medidas de enfrentamento ao coronavírus. A concessionária afirma que, se o “poder concedente revogar o decreto, a operação na Linha Charitas será retomada”.

Em 2016, alegando prejuízos, a CCR formalizou, em juízo, o desejo de devolver a concessão do transporte de barcas ao estado. O contrato se encerra em fevereiro de 2023. A Secretaria estadual de Transportes (Setrans) diz que trabalha na contratação dos estudos de modelagem da nova licitação e que os usuários da estação Charitas podem utilizar a linha Praça Quinze-Araribóia, enquanto estiverem em vigor as medidas de enfrentamento à Covid-19. Segundo a secretaria, todo o sistema aquaviário transportava, antes da pandemia, cerca de 80 mil passageiros, e hoje aproximadamente 19 mil usuários utilizam o serviço, representando uma queda de 75%. Destes, 17 mil passageiros são atendidos pela linha Araribóia, incluindo os da linha seletiva de Charitas.

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