Sem candidato à Presidência, PSDB chega a três meses da eleição com só dois nomes ao Senado; veja o mapa de candidaturas

Além de não lançar candidato à Presidência da República pela primeira vez na história, o PSDB chega a três meses das eleições gerais com apenas dois nomes colocados para concorrer ao Senado, mesmo número de legendas pequenas como PSC, PRTB e PROS.

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Na última disputa, em 2018, quando havia duas vagas abertas por estado, o partido teve 23 candidatos ao Congresso; em 2014, ano em que, assim como agora, tinha somente uma cadeira disponível por unidade da federação, eram nove postulantes — a redução em relação ao quadro de oito anos atrás é de 78%.

O panorama eleitoral no PSDB, no entanto, pode ser momentâneo, uma vez ainda há nomes sendo cogitados para a disputa. Há expectativa, por exemplo, segundo a legenda, de que Paulo Bauer possa lançar candidatura por Santa Catarina, na tentativa de retornar ao cargo de senador, que ocupou até 2018. Já Aécio Neves, em Minas Gerais, avalia o cenário para decidir se vai tentar a reeleição na Câmara ou voltar ao Senado. O fim convenções partidárias, prazo para que as siglas definam suas candidaturas, é 5 de agosto.

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Este ano, o primeiro em que os partidos não poderão fazer coligação nas eleições proporcionais, a estratégia da maioria dos partidos é eleger bancadas fortes na Câmara e, assim, ter mais acesso a recursos do fundo eleitoral e maior poder de articulação política.

‘PSDB não é mais uma noiva desejada’

Para o professor de ciências políticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Fernando Guarnieri, a estratégia do PSDB para se tornar um dos protagonistas na política nacional foi construir alianças com outras siglas. Hoje, no entanto, o partido não é mais uma “noiva desejada” e perdeu sua capacidade de aglutinação porque conflitos internos chegaram até o eleitor.

— O PSDB acabou cometendo diversos erros por tentar se aproximar do eleitor de extrema-direita. Em 2010, José Serra traz temas como o aborto para a campanha, assim como outras pautas de costumes, o que se repete quatro anos depois, com Aécio Neves. Essa guinada puxa vários políticos com perfil mais à direita para o partido, que acabam batendo de frente com os quadros tradicionais — explicou.

Ao mesmo tempo, as brigas internas mostraram um partido enfraquecido, desunido e inviável para derrotar a esquerda. Guarnieri acredita que o eleitorado deixou de ver coerência no PSDB também por alguns erros estratégicos:

— Eleger Aécio presidente nacional foi o maior dos erros, porque ele questionou os resultados das urnas ao perder as eleições de 2014 (para Dilma Rousseff, do PT), o que contribuiu para o sentimento antipolítico, contra os partidos tradicionais. O apoio ao impeachment de Dilma foi outro erro tático. O PSDB era o partido mais bem posicionado nas pesquisas para enfrentar o PT, em um cenário econômico bem debilitado. No entanto, a sigla decidiu apostar no impeachment, sabendo que não havia como prever os seus efeitos na ponta da linha.

Segundo o pesquisador, desde então, é difícil para o PSDB encontrar uma posição. Em 2018, uma boa parte do partido apoiou o Bolsonaro em detrimento do Alckmin, criando uma desavença que nunca foi sanada, e o eleitor abandonou o PSDB em busca de uma alternativa mais viável para combater o PT.

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