Sem carnaval no Rio, turistas de todo o país buscam interior do estado

Rodrigo Souza, Pâmela Dias* e Selma Schmidt
·4 minuto de leitura

RIO — Com o carnaval do Rio cancelado, turistas estão buscando o interior do estado para passar os dias de folia. Embora abaixo dos 80,83% do ano passado, as reservas de hotéis nas regiões dos Lagos, Serrana, da Costa Verde e do Médio Paraíba já chegaram a 50,26%. Em Paraty, alcançaram 74%, e, em Conservatória (Valença), 62,13%. Números que surpreenderam o presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Rio de Janeiro (Hotéis Rio), Alfredo Lopes.

— Dentro de uma pandemia, a ocupação dos hotéis do interior é boa. Muitos optaram por passar o feriado de carnaval em cidades mais calmas que o Rio — diz Lopes.

Uma pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio (Creci-RJ) sobre a taxa de ocupação de imóveis de temporada mostra também uma corrida para interior. As reservas em algumas cidades turísticas estão beirando 100% da oferta.

Entre os locais mais procurados para locações, estão Angra dos Reis e Petrópolis. Mesmo com a pandemia, a procura por imóveis de temporada cresceu 30% em Angra, quando se compara aos números do último carnaval. Lá, as prioridades dos turistas são imóveis de alto luxo, alugados com até sete meses de antecedência para o feriado. Nesse caso, o valor das diárias pode chegar a R$ 15 mil.

Apesar do preço elevado, o biólogo Thiago dos Santos acredita que boas experiências merecem ser repetidas, principalmente agora na pandemia, em que o descanso se faz ainda mais necessário:

— Com toda a questão da pandemia, eu e minha esposa decidimos que merecíamos repetir a experiência maravilhosa que tivemos em 2019. Alugamos uma casa simples, mas com uma vista bacana.

Geribá lotada

Em Petrópolis, devido à procura três vezes maior do que em um período normal de temporada, o valor médio das diárias também subiu, chegando a quase o dobro do ano passado. Uma casa com três quartos em um condomínio com piscina em Araras ou Itaipava está custando R$ 20 mil por mês. A região é visada especialmente por cariocas, que têm famílias grandes.

Segundo o ranking do Creci, Búzios é também um dos destinos favoritos dos turistas para locações. A expectativa é que, durante o carnaval, quase a totalidade dos imóveis por temporada esteja ocupada. Já a reserva de hotéis na cidade está em 40%, de acordo com o sindicato da categoria.

Nesta quinta-feira, a Praia de Geribá, uma das mais concorridas do balneário, estava lotada. A julgar pela quantidade de turistas que foram curtir o feriadão na cidade nem parece que vivemos uma pandemia. Embora reconheça que o carnaval pode representar uma ameaça à saúde, a autônoma Mônica Rodrigues, de 41 anos, de Muqui, no Espírito Santo, não quer deixar a data passar em branco:

— Quero conhecer os bares, restaurantes... Vou hoje (quinta-feira) à Rua das Pedras. Nos dias de carnaval, vou ao Centro para ver se vai ter alguma programação. Até agora, não foi divulgado ainda. Se tiver algo, vou. Para me divertir um pouquinho. Tomando todos os cuidados...

Bares: 30% de lotação

Ao contrário de Mônica, a curitibana Laís Bozza, de 31 anos, não quer participar de nenhum evento de carnaval. Hospedada em uma pousada próxima à Praia da Ferradura, a médica diz que só quer descansar em seus primeiros dias de folga após um ano de trabalho na linha de frente de combate ao novo coronavírus:

— Estou preocupada com as aglomerações no carnaval. Por isso, pretendo voltar para casa no domingo. O que eu quero é sossegar.

A prefeitura de Búzios limitou a 30% a lotação de bares, restaurantes e festas de carnaval. Em 16 de dezembro, a cidade entrou em lockdown após voltar à bandeira vermelha (alto risco de contágio). A Justiça determinou que turistas deixassem o município em até 72 horas e proibiu a entrada de hóspedes em hotéis e imóveis de temporada. Mas, após protestos de empresários e moradores, a medida foi suspensa. No último mapa epidemiológico do estado, o risco de transmissão da doença era considerado baixo na cidade.

Érica Gomes, paulista de 26 anos, é uma das turistas que alugou um apartamento e ficará uma semana em Búzios com a família. Ela garante que só quer relaxar:

— Vivemos uma pandemia, e todo cuidado é pouco. Escolhemos Búzios porque somos apaixonados pelas praias que vamos apreciar de longe ou quando estiverem vazias.

*Estagiária sob a supervisão de Vera Araújo