Sem circulação de ônibus intermunicipais e restrições nos outros transportes, moradores da Baixada falam sobre as medidas

Marcos Nunes
1 / 2

crespo.jpeg

O promotor de vendas Gustavo Crespo usa álcool gel para utilizar o transporte público

RIO - Morador do Bairro São Bento, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o promotor de vendas Gustavo Crespo, de 26 anos, sai de casa às 5h30 durante seis dias da semana, e viaja em três ônibus para conseguir bater ponto às 8h, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Neste sábado, no entanto, ele não tem certeza se conseguirá cumprir sua rotina. Com o decreto do governador Wilson Witzel, que suspendeu a circulação intermunicipal de ônibus entre a Região Metropolitana e a cidade do Rio, Gustavo simplesmente não terá opção de ônibus, van ou trem para chegar ao trabalho. Estações de trem e uma de barcas terão acesso restrito a profissionais de setores definidos como essenciais.

Mesmo assim, neste sábado, pegará um ônibus para o Centro de Duque de Caxias. De lá tentará ir à Central do Brasil, e posteriormente para Zona Sul do Rio.

— De qualquer maneira vou para o Centro de Caxias para de lá, tentar seguir até a Central do Brasil. Se não conseguir ônibus ou outro meio de transporte, tiro uma foto e envio para o meu chefe para saber como vou proceder — disse o promotor de vendas, que não dispensa o uso de álcool gel antes ao embarcar e desembarcar do coletivo. — Uso sempre para me proteger do coronavírus — completou.

O vendedor Pedro Paulo Souza, de 39, morador de Nova Iguaçu, trabalha em uma empresa de autopeças localizada no Bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio. Com a restrição de circulação, ele passará a trabalhar de casa.

— Vou trabalhar usando um computador de casa. A gente entende que por conta do coronavírus não há outro jeito. O que vai acontecer com os transportes tem mesmo de ser feito para evitar a disseminação — disse o vendedor.

Pai de dois meninos gêmeos e morador do Bairro Caioba, em Nova Iguaçu, o auxiliar administrativo João Pacheco, de 36, já está trabalhando em home office desde a última segunda-feira. Nesta sexta-feira, ele aproveitou o último dia de circulação sem restrição do transporte intermunicipal de passageiros para ir ao escritório onde trabalha, no Largo da Carioca, no Centro do Rio.

— Normalmente, vou de ônibus cheio, mas desde de segunda-feira estou trabalhando em home office. Nesta sexta-feira, estou indo no escritório só para adiantar algumas coisas e pegar alguns arquivos para continuar a trabalhar de casa. Tenho parentes idosos e crianças. Tem que ser assim mesmo para combater a doença — disse.

Já a técnica de enfermagem Ana Cláudia Maciel Pires, de 19, que também mora em Nova Iguaçu, e trabalha em um hospital da Zona Norte do Rio, espera que seja cumprida a promessa de embarque garantido nas estações de trens para pessoas consideradas de grupos essenciais, como funcionários da saúde, segurança, jornalistas e etc.

Ana costuma usar os ramais de Japeri Gramacho da Supervia para chegar até o Bairro de Olaria, onde trabalha.

— Nunca imaginei que a gente fosse passar por uma situação dessa. Acho que por ser funcionária do ramo de saúde, terei uma exceção para embarcar no trem e ir ao trabalho — disse Ana Cláudia, antes de embarcar, nesta sexta-feira, em um ônibus para ir até a Zona Norte resolver um problema particular.