Sem Ciro, Cid e Ivo Gomes participam de passeata pró-Lula em Sobral, berço eleitoral da família

O senador Cid Gomes (PDT-CE) e o prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PDT), participam na noite desta quinta-feira de uma passeata em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cidade cearense, berço eleitoral do clã Ferreira Gomes. O evento, no entanto, não tem a presença do irmão e ex-presidenciável pedetista, Ciro Gomes, que segue isolado em Fortaleza após ficar em quarto lugar na votação do primeiro turno. As eleições deste ano causaram um racha na família após o rompimento da aliança PDT e PT no Ceará.

Cid e Ivo participam da passeata desta noite ao lado ao lado do ex-governador cearense e senador eleito, Camilo Santana (PT), da governadora Izolda Cela (sem partido) e de seu sucessor, Elmano Freitas (PT). Esses dois últimos estiveram no centro do que causou o racha entre petistas e pedetistas no estado: o PT defendia lançar a atual chefe do Executivo do Ceará, na época filiada ao PDT, como candidata à reeleição, enquanto o PDT preferia Roberto Cláudio, mas próximo a Ciro Gomes. No final, o ex-presidenciável pesou para a decisão do partido, que escolheu como postulante RC, como é conhecido.

A escolha causou a ruptura da aliança de quase duas décadas entre as duas siglas no estado. Em resposta, o PT lançou Elmano, que foi eleito já no primeiro turno. O racha também fez com que Cid e Ivo não se envolvessem na campanha estadual do PDT e da própria campanha à Presidência do irmão.

A participação do dois no evento desta noite, inclusive, contrasta com o tratamento que deram a Ciro na reta final do primeiro turno. A dois dias daquela votação, o então presidenciável pedetista fez uma carreata em Sobral, mas o evento não contou nem com a presença de Cid nem de Ivo, prefeito da cidade. O episódio foi visto como o ápice da briga entre os irmãos.

Por causa do racha com a família, Ciro evitou fazer agendas no Ceará durante a campanha. Já Cid e Ivo se limitaram a fazer "adesivaços" para o irmão pelas cidades do Ceará. Nas ocasiões, porém, também fizeram campanha para Camilo.

A briga com os irmãos é apontada por interlocutores de Ciro como um dos principais motivos para que o pedetista não querer se envolver na campanha de Lula, apesar de seguido a orientação do partido em apoiar o petista. O ex-presidenciável atribuiu ao ex-presidente e ao PT a culpa pelo racha no estado e por seu desempenho fraco nas eleições deste ano. Ciro amargou o quarto lugar com apenas 3% dos votos, seu pior resultado em todas as disputas presidenciais que participou.