Sem citar Bolsonaro, Pacheco afirma que tem faltado respeito nas relações entre os Poderes

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.07.2021 - O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.07.2021 - O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que tem “faltado respeito” entre os poderes e citou como exemplo o uso de redes sociais para discutir questões que deveriam ser abordadas “em alto nível”.

Pacheco também criticou indiretamente a atuação do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus, afirmando que a doença nunca deveria ter sido “menosprezada” e sim deveria ter sido “enfrentada desde o início”.

As críticas do presidente do Senado e do Congresso Nacional foram feitas durante sua fala na abertura da convenção da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), no início da tarde de segunda-feira (20).

Pacheco defendeu quatro conceitos importantes para o Brasil nesse momento: união nacional, respeito, responsabilidade fiscal e otimismo.

Ao tratar especificamente de “respeito”, Pacheco afirmou que tem faltado respeito entre as instituições e poderes. Não citou o presidente Jair Bolsonaro, mas alegou que um dos problemas é o uso das redes sociais para criar instabilidade.

Bolsonaro é o único chefe de poder no Brasil que usa suas contas em redes sociais para atacar outros poderes, chegando a usar esse meio para anunciar que pediria o impeachment de dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

“O segundo conceito importante é o do respeito. Eu considero que tem faltado respeito ao país, especialmente nas relações institucionais, nas relações entre os poderes, permitindo-se inclusive discutir essas relações através de redes sociais ou coisa que o valha, quando isso deveria estar sendo discutido em alto nível”, afirmou.

Pacheco também afirmou que a união nacional é importante para “descortinar um rumo diferente para o Brasil”, após o enfrentamento da pandemia. Complementou que isso não significa a “aceitação de tudo o que hᔠou uma convergência absoluta de propostas.

Pacheco também afirmou que os brasileiros precisam ser otimistas, repetindo uma frase que vem adotando, de que é preciso combater o negacionismo e o negativismo. No entanto, afirmou que existe uma condição para a instauração desse clima de otimismo, que é dentro do Estado democrático de direito e da democracia. Novamente sem citar Bolsonaro, citou a necessidade de combater retrocessos.

“Nenhum retrocesso ao estado de direito, nenhum retrocesso à democracia. Eu tenho absoluta convicção que ninguém assimilará ideia que imponha algum tipo de retrocesso nesses dois conceitos de estado de direito e de democracia no nosso país”, afirmou.

Cotado como candidato a presidente nas próximas eleições presidenciais, em 2022, Pacheco propôs que temas eleitorais sejam discutidos apenas no ano eleitoral e pediu cooperação para o momento atual.

Nesse momento, afirmou que o Congresso nunca vai ser subserviente ao governo federal ou a qualquer outro poder.

“Temos que cooperar entre nós agentes políticos e partidos políticos, independente de partidos políticos, independente de ideologias, o que não significa que jamais seremos subservientes ao governo federal, jamais estaremos subjulgados ao poder judiciário”, afirmou.

"Esse enfrentamento dessas crises deve ser feito com planejamento, com inteligência, ponderação, com ações que sejam efetivas, não é numa disputa política ou na antecipação de uma disputa eleitoral que nós vamos conseguir esse ambiente", completou

Após o evento, o presidente do Senado foi questionado sobre a possibilidade de ser pré-candidato e as sondagens envolvendo o seu nome. Respondeu apenas que se sente "lisonjeado" e que o plano eleitoral "acaba sendo uma consequência de tudo o que nós fizemos para o bem do Brasil".

Pacheco também foi questionado especificamente sobre a postura atual do presidente Jair Bolsonaro e sobre a iniciativa do Planalto de enviar, agora sob formato de um projeto de lei, uma proposta com o mesmo conteúdo da medida provisória, que dificultava a remoção de conteúdo da internet, apelidada de MP das Fake News.

O senador mineiro não entrou no mérito da proposta, mas afirmou que ela "se soma" a outras propostas em discussão no Congresso Nacional.

"Então é mais um projeto que se soma a essa ideia: o que precisa ser mudado referente a esses temas de fake news", afirmou.

"Mas nós temos que proteger as nossas crianças, os nossos jovens, temos que proteger as nossas famílias desse mal que é o mau uso da internet disseminando mentiras, disseminando essas fake news e gerando muita instabilidade e gerando muita vulnerabilidade na sociedade", completou.

Pacheco evitou comentar a perspectiva de uma nova radicalização do presidente Jair Bolsonaro. Ressaltou mais uma vez a nota do chefe do Executivo, na qual ele recua de suas ameaças, e disse esperar "muito que esse ambiente se mantenha".

"Eu não posso antever o futuro ou mesmo o discurso do presidente da República [na Assembleia da ONU], mas considero que o gesto do presidente da República em razão do 7 de setembro e tudo o quanto houve de ter esse gesto de busca de pacificação, de respeito aos demais poderes, de preservação da democracia, é um gesto que precisa ser reconhecido", completou.

Ainda no evento, em outro momento de divergência com o governo, Pacheco afirmou que a pandemia não deveria ter sido menosprezada. A fala aconteceu no momento em que lembrou dos três senadores que morreram em decorrência da Covid-19.

“Senador Arolde de Oliveira, senador José Maranhão e senador Major Olimpio, infelizmente, sucumbiram essa doença maldita, que nunca poderia ter sido menosprezada ou menoscabada , mas devia ter sido enfrentada desde o início”, completou.

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