Sem comércio aberto, SP inicia nesta segunda transição para retomada

ARTUR RODRIGUES
*ARQUIVO* SÃO PAULO, 21 /05/20: Caminhão estacionado em frente a loja de auto peças no bairro do Itaim Paulista, região leste de São Paulo. ( Foto: Karime Xavier / Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem estabelecimentos abertos, o processo de transição para a reabertura da economia anunciado pelo governo João Doria (PSDB) começa nesta segunda-feira (1º).

Doria autorizou prefeituras de partes do interior e da capital iniciarem o processo de reabertura de comércio, shoppings e serviços. No entanto, isso ainda depende de decretos municipais.

Na capital paulista, o prefeito Bruno Covas (PSDB) estabeleceu que cada setor econômico precisa antes aprovar protocolos antes de reabrir.

O tucano, em meio ao processo de análise dos protocolos, resolveu prorrogar a quarentena até dia 15 de junho. Segundo a prefeitura, se eventualmente algum grupo conseguir a aprovação antes desta data poderá abrir mesmo assim.

O processo, porém, não é simples. A avaliação inclui apresentação de protocolos de distanciamento, higiene, testagem de colaboradores, horários alternativos, agendamento para atendimento, fiscalização e apoio para que funcionários que não tenham com quem deixar seus dependentes.

As propostas devem começar a chegar já nesta segunda, uma vez que há pressa entre os setores para a retomada. A ideia da área comercial é conseguir reabrir a tempo do dia dos namorados, em 12 de junho.

A capacidade dos estabelecimentos deve estar limitada a 20% e por quatro horas seguidas, além de adoção de protocolos padrões e setoriais específicos, que deverão ser aprovados pela prefeitura.

No caso dos shoppings, há uma proibição adicional, que se refere ao uso das praças de alimentação.

No sábado (30), a prefeitura também publicou um decreto que autoriza a retomada dos agendamentos para consultas médicas na rede pública de saúde do município a partir desta segunda, em hospitais-dia, ambulatórios de especialidades e AMAs

São Paulo foi incluída na chamada área laranja, na classificação de cinco fases do governo: vermelha, laranja, amarela, verde e azul. Na primeira, há restrição total, que vai desaparecendo gradualmente até chegar na fase azul, de abertura.

A Grande SP, por outro lado, permaneceu na área vermelha. No entanto, a situação pode mudar pois Doria subdividiu a região em cinco, cujos indicadores serão avaliados separadamente. A divisão foi feita pelas cidades da região norte, Alto Tietê, Grande ABC, regiões dos Mananciais e Rota dos Bandeirantes.

O principal índice que tem sido levado em conta e que tirou a capital da zona vermelha foi a questão dos leitos. Nos bastidores, também houve pressão do prefeito Bruno Covas para a liberação para que fossem tratados dos protocolos de reabertura.

Segundo os dados do governo, 90% da população do estado estão em cidades na fase de “atenção ou controle”, ou seja, em que haverá algum tipo de retomada das atividades comerciais.

Após o anúncio de reabertura, o governo Doria passou a dar mais ênfase em recuperados e em cidades da doença sem mortes. Em nota oficial no domingo (31), afirmou que "cerca de 60% das cidades do estado de São Paulo permanecem sem mortes pelo novo coronavírus". "Dos 645 municípios, 379 não tiveram nenhum óbito até o momento. Quanto aos casos, houve pelo menos um em 526 cidades", diz o comunicado.

O estado de São Paulo atingiu o total de 109.698 casos e 7.615 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas. Foram registrados 83 novos óbitos e 2.556 novos casos no período.

Entre as vítimas fatais, são 4.422 homens e 3.193 mulheres. As mortes estão concentradas em pacientes com 60 anos ou mais, um total de 72,8%.

Há 12.920 pacientes internados, sendo 8.059 em enfermaria e 4.861 em UTI. A taxa de ocupação na Grande São Paulo é de 84,7 %. No estado, é 71.6%.