Sem continência: cinco vezes em que militares foram constrangidos no governo Bolsonaro

Lucas Tomazelli
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BRASILIA, BRAZIL - OCTOBER 14: Jair Bolsonaro, President of Brazil, and Health Minister, Eduardo Pazuello during the launching of Programa Genomas Brazil amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on Octuber 14, 2020 in Brasilia. Brazil has over 5.140,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 151,747 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello durante cerimônia no Palácio do Planato (Andressa Anholete/Getty Images)

Quando Jair Bolsonaro (sem partido) venceu as eleições de 2018 e chegou ao Palácio do Planalto, o feito parecia uma incontestável conquista para as Forças Armadas brasileiras. Isso porque o atual presidente é capitão reformado e seu vice, Hamilton Mourão, um general da reserva.

Contudo, ao contrário do previsto, os militares que ganharam postos no governo Bolsonaro têm sido alvo de críticas públicas constantes e até passado por episódios constrangedores.

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Recentemente, Luiz Eduardo Ramos (ministro-chefe da Secretaria de Governo) e Eduardo Pazuello (ministro da Saúde) engrossaram a lista de controvérsias envolvendo militares da gestão Bolsonaro. Relembre abaixo:

1. Maria Fofoca

No último dia 23, incomodado com a repercussão negativa da suspensão das ações de combate a incêndios, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, foi a uma rede social para criticar Luiz Eduardo Ramos, dizendo que o general estava adotando uma postura de "Maria Fofoca".

Depois dos estragos provocados pelo atrito público, Salles voltou às redes sociais desta vez para alegar que o conflito havia sido encerrado e garantindo que havia pedido desculpas a Ramos pelo "excesso".

2. "Um manda e o outro obedece"

O confronto envolvendo a "Coronavac", vacina do laboratório chinês Sinovac e desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan, começou quando Bolsonaro desautorizou publicamente Eduardo Pazuello, depois do ministro anunciar a compra de 46 milhões do imunizante.

Um dia depois, Pazuello gravou um vídeo ao lado de Bolsonaro em que os dois admitem o atrito, que é minimizado pelo presidente. Na sequência, o ministro da Saúde resume a situação: "é simples assim: um manda e o outro obedece".

3. "Eu cumpri o meu papel, o que era possível ser cumprido"

É natural que fosse uma missão difícil ser porta-voz de Jair Bolsonaro, homem conhecido por declarações controversas ao longo de sua carreira política. O general Otávio Rêgo Barros tentou, mas não conseguiu permanecer no cargo nem por dois anos.

Em entrevista à TV Globo, ele admitiu não ter autoridade para repreender o presidente após falas que repercutiram mal nacionalmente e lamentou não ter podido contribuir mais. O cargo de porta-voz acabou extinto.

“Eu fui para o governo muito entusiasmado com o projeto do Bolsonaro. Na verdade, eu continuo entusiasmado, embora algumas mudanças venham ocorrendo ao longo desse 1 ano e meio. Eu cumpri o meu papel, o que era possível ser cumprido, com a minha equipe unida, coesa e com objetivos profissionais muito bem definidos", avaliou o general.

Brazilian Presidency's spokesman Otavio Rego Barros speaks during a ceremony marking the first 100 days of Brazilian President Jair Bolsonaro's government at Planalto Palace in Brasilia, on April 11, 2019. (Photo by EVARISTO SA / AFP)        (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
O general Otávio Rêgo Barros tentou, mas não conseguiu permanecer no cargo nem por dois anos (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

4. "Bosta engomada"

Em junho de 2019, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o comando da Secretaria Geral da Presidência da República (Segov), um dos cargos-chave no governo Bolsonaro.

Durante toda a sua gestão à frente da Segov, Santos Cruz sofreu ataques de Olavo de Carvalho, tido como "guru" da família Bolsonaro. O escritor chegou a chamar o general de "bosta engomada" em um ataque nas redes sociais.

Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador, também usou as redes sociais para criticar Santos Cruz indiretamente ao dizer que, em sua visão, havia uma "comunicação falha" há meses na equipe do presidente.

5. "Tal de Mourão"

Sequer o vice-presidente foi poupado dos atritos envolvendo o presidente. Em abril de 2019, Mourão foi ao de uma sequência de críticas vindas de Carlos Bolsonaro.

O vereador chegou a se referir ao vice de seu pai como "tal de Mourão" e "o culto", nas redes sociais. Ao criticar uma fala do general sobre a Venezuela, Caros chegou a dizer que as "pérolas" de Mourão já aconteciam há muito.

Quando Mourão defendeu que Jean Wyllys, deputado oposicionista ao governo, não deveria ter deixado o país, Carlos afirmou que estranhava o "alinhamento" do general com políticos que detestam seu pai.