Sem desfile, bloco mirim Gigantes da Lira enfeita rua com corações: 'passarela de amor'

Felipe Grinberg
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RIO — Há 23 anos o bloco Gigante da Lira, queridinho das crianças e pais cariocas, desfila no último domingo de pré-carnaval. Este ano, por causa da pandemia do coronavírus não teve a tradicional aglomeração dos pequenos fantasiados se divertindo ao som de marchinhas, mas para marcar a data, os organizadores do bloco prepararam uma surpresa para as crianças. Logo às seis horas da manhã se deu início a “ alvorada dos corações gigantes”, quando o grupo começou a pendurar 100 balões em formato de corações por toda a rua General Glicério, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, onde sempre desfilam.

A ideia, conta Yeda Dantas, uma das criadoras do bloco infantil, foi para representar de que os corações de cada integrante do bloco estava ali, mesmo sem o desfile:

— Foi uma manhã de emoção acentuada para gente e a alvorada dos corações conseguiu tocar as pessoas. Demos um banho de amor na nossa passarela — diz, Yeda, que ainda comemora que os balões foram levados pelas crianças que passaram pela rua:

— Agora não tem mais nenhum coração porque foram levados. Passaram crianças e pegaram. O engraçado é que na hora que seria o fim do desfile, vimos que foi o tempo exato que crianças e papais e mamães passaram pegando os corações. Alguns ainda estão transitando por aqui — celebra.

Frequentadora do bloco e moradora da região, a advogada Martha Fernandes aproveitou o clima ameno na cidade para passear com sua filha Julia Maria, de três anos, e a cachorrinha Dory na rua em que hoje estaria coberta de purpurina. Ela conta que a pequena amou a decoração e fez questão de passar por cada um dos cem balões:

— Eu sempre passeio por ali com a minha filha e a cachorrinha. Minha amiga me avisou dizendo que estava linda e emocionante. Quando falei que a rua estava toda decorada ela ficou toda animada e quis ir. Depois ainda queria passar por todos os balões, brincando com todo, falando das cores. Não queria sair da rua — relembra.

Mas não foi apenas a pequena Júlia que se animou com a ideia. O músico Carlos Malta, de 60 anos, que carrega o carnaval em suas veias, foi contagiado pelo clima que ficou na rua. Desceu de seu apartamento com um pifano para tocar de sua portaria. O som doce atraiu os ouvidos mais sensíveis, causando uma aglomerações de cães que ficaram encantados com a música:

— A ideia era fazer o som ecoar pela rua, aproveitando o clima que estava lá, mesmo sem sair da portaria. O Gigantes é uma tradição da nossa rua, é um marco do carnaval, é muito lindo que traz a leveza da criançada — conta.