Com dinheiro congelado, Exército pode cortar um terço dos recrutas

Adriano Machado/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pelo menos 25 mil membros podem ser dispensados; primeira consequência direta é nos índices de desemprego do país.

  • Instituição pode reduzir expediente e operações militares; Bolsonaro diz que “não tem dinheiro”.

O Exército Brasileiro poderá ser obrigado a dispensar pelo menos 25 mil dos 80 mil recrutas no início de outubro, graças ao contingenciamento de parte de seus recursos pelo governo federal. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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A dispensa anteciparia a primeira baixa, que estava prevista para dezembro. Se as verbas não forem descongeladas, a instituição prevê ainda ter de reduzir operações militares e cortar expediente dos que permanecerem.

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Prevista para ocorrer em todo o país, a dispensa dos soldados tem entre as consequências diretas a piora nos índices de desemprego do país. A situação é mais grave em cidades do interior em que jovens dependem do trabalho nos quartéis.

A situação foi discutida na última semana pelo Alto-Comando do Exército em Brasília. Ao todo, 16 generais participaram do debate. O presidente Jair Bolsonaro tem sido informado das dificuldades, segundo o jornal.

“Não tem dinheiro”, diz Bolsonaro

Na última sexta (16), em Resende (RJ), onde participaria de cerimônia de entrega de espadins aos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), Bolsonaro assim se referiu à situação dos militares: “Estamos aqui tentando sobreviver ao corrente ano. Não tem dinheiro. Eu já sabia disso e fui fazendo milagre, conversando com a equipe econômica com o que podemos fazer para sobreviver. O Exército vai entrar em meio expediente, não tem comida para dar ao recruta, que é filho de pobre”, disse.

Para o ex-capitão do Exército, “a situação em que nos encontramos é grave, não há maldade da minha parte, não tem dinheiro, só isso, mais nada”.

O quadro no Exército piorou com o contingenciamento, no primeiro semestre, de R$ 180 milhões que seriam destinados a despesas. De acordo com os militares, a redução contínua no orçamento da Força – neste ano é de R$ 620 milhões, mesmo valor de 2009 -, pode comprometer em breve até mesmo gastos do dia a dia, como contas de luz, gás, telefone, combustível e até munição.

Semana passada, em seu discurso na transmissão do cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército, o general Marcos Antônio Amaro alertou que “os insuficientes recursos no orçamento para aquisição e manutenção dos meios e para desenvolvimento das atividades da Força vêm reduzindo a sua operacionalidade a patamares inadequados às suas missões constitucionais e subsidiárias”.

Amaro assumiu o Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, no lugar do general Luis Eduardo Ramos, que foi alçado a ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro.