Sem ensaios técnicos no Sambódromo, público lota ensaios de rua das escolas de samba

Leticia Lopes, Marjoriê Cristine
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Público lota ensaio de rua do Paraíso do Tuiuti, nas imediações do Campo de São Cristóvão

A rua se tornou o ambiente que mais recebe a alegria e a energia do carnaval no Rio de Janeiro. Depois que os blocos se espalharam por todos os cantos da cidade, agora é a vez das escolas de samba utilizarem seus encontros próximos às suas quadras e das comunidades para atrair os fãs, o entorno e os novos foliões.

O novo hobby veio após todos ficarem órfãos sem os tradicionais ensaios técnicos na Sapucaí, que dão a oportunidade de ver cada escola atravessar a avenida de forma gratuita. A 29 dias dos desfiles do Grupo Especial, ainda há a esperança que no dia 16 de fevereiro, a Mangueira, atual campeã do carnaval, realize o teste de som na passarela. Por isso, as agremiações passaram a divulgar dias, horários e locais dos seus ensaios de rua para atrair o público.

As opções variam entre segundas, quartas e quintas-feiras, além do domingo, com a possibilidade de ver a mesma escola duas vezes na mesma semana. Esses são os casos do Salgueiro e da Imperatriz Leopoldinense, ambas com ensaios às quintas e aos domingos. O crescimento vem desde 2018, quando os ensaios técnicos foram cortados. Em 2019, eles voltaram a acontecer, mas o público manteve o fascínio por visitar suas escolas na rua, ficar mais próximo da comunidade e interagir com os integrantes.

— Esses ensaios se tornaram algo interessante, porque também dão a oportunidade de a escola encarar a cidade e ver a resposta ao seu enredo, seu samba. O retorno é forte, a comunidade se envolve completamente e deixa todos os fãs com um sentimento de pertencimento ao desfile — diz Felipe Ferreira, professor Artes da Uerj e coordenador do Centro de Referência do Carnaval.

O ensaio de rua não substitui a alegria de muitos cariocas de poder acompanhar na Avenida um pouco do que a escola vai levar nos dias dos desfiles. A estudante de arquitetura Erika Medina, de 25 anos, tem o costume de ir aos ensaios técnicos para assistir a mãe, Isabel, de 59, que desfila na Ala das Damas da Portela. Com o cancelamento do evento, a saída tem sido os ensaios de rua das agremiações, além dos ensaios de quadra.  

— Estamos bem decepcionado. Já fomos nos ensaios de rua do Salgueiro e da Vila, mas no Sambódromo é bem mais legal, mais animado. Os desfiles eu assisto em casa, principalmente porque o ingresso é caro. Mas no ensaio técnico você consegue ficar em setores bons que você não conseguiria acessar comprando ingresso, porque é caro — conta a moradora de Irajá, na Zona Norte.

Ainda sem a possibilidade de ensaios técnicos, a única opção que ainda está gratuita e mantida é o setor "zero", localizado na Avenida Presidente Vargas, próximo a entrada da sapucaí. As arquibancadas móveis começaram a ser montadas na quinta-feira. A visão dos desfiles é quase nenhuma, não há proteção e as pessoas chegam até cinco horas antes para conseguir um lugar para sentar entre os 3.500 disponíveis.

Mas cada agremiação tem disponível durante algumas noites e madrugadas na semana a oportunidade de fazer ensaios no setor 11 de bateria, da comissão de frente e do mestre-sala e porta-bandeira na Sapucaí. No entanto, o público não tem acesso à arquibancada, que não é aberta.