Sem espaço nos EUA após acusações de assédio, Plácido Domingo encontra 'refúgio' na Europa

RIO - Com entradas esgotadas, o tenor Plácido Domingo, de 78 anos, fez sua primeira apresentação na Espanha desde que 20 mulheres o denunciaram por assédio em uma reportagem da agência Associated Press (AP).

O músico espanhol se apresentou no Palau de les Arts, em Valência, onde fica em cartaz até 16 de dezembro. Em uma montagem de Thaddeus Strassberger, o tenor vive o rei da Babilônia na ópera "Nabucco", de Verdi.

Segundo o "El País", a recepção foi positiva, com Valência recebendo o tenor "como se nada tivesse acontecido desde a última vez que o viu".

Desde que as acusações de assédio vieram à tona, Plácido Domingo foi obrigado a cancelar vários concertos, sobretudo nos Estados Unidos. Em outubro, Placido Domingo abandonou a direção da Opera de Los Angeles, função que ocupava desde 2003. No mês passado, o tenor também desistiu de participar de um evento para inaugurar os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde dividiria o palco com Ebizo Ichikawa XI, um dos maiores nomes do teatro kabuki.

"O público entrou no Palau de les Arts disposto ao desagravo. Com ânimo parecido, ainda que mais moderado, reagiu o público de Salzburgo em agosto ou o de Zurique em outubro. Nada a ver com a divisão de opiniões que prevaleceu após a estreia de Macbeth no Metropolitan de Nova York. A Europa hoje é o seu refúgio", escreveu a crítica do jornal espanhol.

Tenor alega que relações foram 'consensuais'

Quando as acusações vieram à tona, Domingo declarou que ''as alegações de 30 anos atrás dessas pessoas não nomeadas são extremamente problemáticas e sem sentido." Ele acrescentou ainda ser "doloroso ouvir que incomodei ou deixei alguém desconfortável, independentemente de quando isso aconteceu."

O artista disse que todos seus relacionamentos foram consensuais: "Acredito que todas as minhas interações e relacionamentos foram sempre bem-vindos e consensuais. As pessoas que me conhecem ou que trabalharam comigo sabem que eu não sou alguém que machucaria, ofenderia ou envergonharia alguém de propósito.''

''Reconheço que as regras de hoje são completamente diferentes das do passado. Eu sou abençoado e privilegiado por ter uma carreira de mais de 50 anos, e irei me apegar aos padrões mais altos'', afirmou o tenor.