Sem estratégia eleitoral, Eduardo Bolsonaro ataca mulheres para agradar núcleo duro

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Eduardo Bolsonaro atacou concessionária da Linha 6-Laranja por política de priorização de contratação de mulheres
Eduardo Bolsonaro atacou concessionária da Linha 6-Laranja por política de priorização de contratação de mulheres (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Na última sexta-feira (4), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ganhou as manchetes ao associar a abertura de uma cratera nas obras da Linha 6-Laranja, na Marginal Tietê, de mulheres engenheiras. O deputado federal usou um vídeo antigo da Acciona, concessionária da linha, em que a empresa diz que prioriza a contratação de mulheres.

Eduardo Bolsonaro, então, afirmou que a companhia deixou de lado a “meritocracia” para aplicar uma “ideologia sem comprovação científica”.

Para responder às acusações de misoginia e machismo após a declaração, o deputado compartilhou um novo vídeo nas redes sociais afirmando que “o feminismo só vai adiante quando homens de geleia não se posicionam” e que a população “tem que se posicionar contra esse politicamente correto. Se o feminismo cresce é por causa de homem frouxo. Então não seja frouxo!”.

O começo de ano tem sido pouco movimentado na política nacional, mas a família Bolsonaro não costuma deixar passar eventos que possam ser capitalizados politicamente - como todo político. No caso da abertura da cratera em São Paulo, o alvo virou o governador e possível adversário na eleição, João Dória (PSDB).

O tucano costuma dizer que a construção da Linha 6-Laranja do Metrô é a maior obra de infraestrutura do país. Para descredibilizar a empresa e, consequentemente, a política adotada pela companhia, os ataques foram voltados às mulheres.

Eduardo Bolsonaro voltou para a tática não de expansão da base bolsonarista, mas para a “reza para convertidos”. O deputado e filho do presidente falou para a base, o núcleo duro que já está convencido e não pensa em mudar o voto.

Para a cientista política Deysi Cioccari, doutora pela PUC-SP, a característica do governo Bolsonaro, replicada na atuação política de seus filhos, é feita com “baseadas na emoção que os levam ao suicídio político”.

“Essa estratégia de ataque desenfreado funcionou em 2018 quando estávamos [a população] à beira do desespero com a corrupção desenfreada da esquerda, mas não funcionará em 2022”, avalia.

Para ela, essas ações fazem parte da política de Estado bolsonarista que é o “ataque às minorias”.

“A falta de maturidade desse pensamento, não podemos esquecer, ganhou uma roupagem intelectual com personagens como Olavo de Carvalho, que tem no modus operandi o mesmo sistema dos personagens políticos (maioria) que integram esse governo”, explica. “Obviamente ele fideliza uma parcela elitista e dogmática que o apoiou, mas descarta completamente aqueles que votaram nele por raiva do PT ou falta de opção. Há uma redução clara no número de seguidores bolsonaristas”.

Quando o tema é buscar mais eleitores para o pleito de 2022, Deysi conclui: “Não há lógica na lógica bolsonarista”.

Assim, o bolsonarismo começa o ano eleitoral sem estratégias revigoradas, repetindo ataques criados para o pleito vencido em 2018, mas em um contexto diferente - hoje, sem um antipetismo exacerbado e em meio a uma pandemia que vitimou mais de 600 mil brasileiros. Um discurso com argumentação frágil e retrógrada, como culpabilizar engenheiras mulheres pela abertura de uma cratera na Marginal Tietê, pode ser falho no objetivo de atrair novos eleitores.

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