Sem evidências, Bolsonaro critica vacina para crianças e sugere perseguição à técnicos da Anvisa

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Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during a ceremony on the International Day Against Corruption at Planalto Palace in Brasilia, on December 9, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Comentários do presidente foram feitos durante live semanal, feita às quintas-feiras (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Jair Bolsonaro, sem provas, colocou em dúvida segurança da vacinação de crianças contra a covid-19

  • Presidente sugeriu divulgação dos nomes dos técnicos da Anvisa que aprovaram a vacina

  • Segundo Bolsonaro, ele e Michelle ainda discutirão se vacinarão a filha, Laura

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de liberar a vacinação de crianças de 5 a 11 contra a covid-19, com o imunizante da Pfizer. Durante a live que faz às quintas-feiras nas redes sociais, o presidente sugeriu a divulgação dos nomes dos técnicos da Anvisa que tomaram a decisão.

Na última quinta (16), Bolsonaro pediu os nomes dos funcionários da Anvisa, sob o argumento de que a população tem “direito de saber” quem foram os responsáveis pela aprovação.

“Deixar bem claro isso, não interfiro lá. Pedi extra-oficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de 5 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento quem são essas pessoas e forme o seu juízo.”

O presidente ainda leu algumas das recomendações feitas pela Anvisa, pedindo para que pais e responsáveis procurem um médico caso as crianças sintam efeitos adversos da vacina, como falta de ar, palpitações ou dores no peito.

“Não sei se são diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou o tal do corpo técnico. Mas seja qual for, você tem direito a saber o nome das pessoas que aprovaram a vacina a partir de 5 anos para seu filho. E você decida se essa vacina se compensa ou não”, disse Bolsonaro durante a transmissão.

Jair Bolsonaro tem uma filha de 11 anos, Laura, que poderá tomar a vacina, quando o Brasil tiver o imunizante adequado – atualmente, o país tem as doses tradicionais da Pfizer, enquanto a dose para crianças é diferente e corresponde a um terço da dose usada em pessoas com mais de 12 anos. Segundo o presidente, ele e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ainda irão avaliar se Laura tomará a vacina.

O presidente afirma que não se vacinou, e nem pretende tomar qualquer imunizante, enquanto a primeira-dama tomou a vacina quando esteve nos Estados Unidos.

“A vacina chegou, experimental. Da nossa parte foi voluntária, ninguém obrigou ninguém a tomar, a responsabilidade é de cada um. Mas agora mexe com as crianças. Quem é responsável é você, pai. Eu tenho uma filha de 11 anos e vou estudar com a minha esposa para ver qual a decisão que nós vamos tomar”, disse.

Os imunizantes usados no Brasil, no entanto, não são experimentais. O uso de alguns é emergencial, enquanto o da Pfizer tem registro definitivo dado pela Anvisa. A agência atestou a eficácia e a segurança de todas as vacinas anticovid utilizadas no Brasil.

Aprovação da vacina para crianças

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da vacina da Pfizer contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos no Brasil. Até então, o imunizante poderia ser administrado em jovens a partir dos 12 anos.

Assim como nos adultos, são necessárias duas doses para a imunização completa, aplicadas com intervalo de 21 dias. No entanto, a dose utilizada para esta faixa etária corresponde a um terço daquela aplicada em pessoas a partir de 12 anos.

O frasco utilizado em maiores de 12 anos tem detalhes em cores roxas. Para diferenciar a vacina para crianças, a vacina da Pfizer para esta faixa etária é laranja. Para evitar confusões, a Anvisa recomendou que seja feito um treinamento específico para aplicação da vacina em crianças.

Uma diferença entre as duas é o tempo em que o frasco pode ficar armazenado: a das crianças pode ser guardada por um mês, enquanto a dose "normal" pode ser armazenada por 10 semanas.

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