Sem festas, Amaury Jr. fala de futuro e preenche rotina com vinho e livros: ‘Se estivesse sozinho, já tinha batido o pino’

Carol Marques
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Amaury Jr. fala de isolamento: “Se estivesse sxinho já tinha batido o pino”

O último grande baile em que Amaury Jr. esteve foi o do Copacabana Palace, no carnaval. Depois disso, com a chegada do coronavírus ao Brasil, as festas cessaram, os eventos acabaram e as viagens foram canceladas. Para quem trabalha com colunismo eletrônico há 40 anos, a pandemia é quase uma sentença de prisão perpétua. “Não há qualquer prognóstico ou previsão de quando teremos novamente um cenário como antes. A não ser que a vacina seja logo descoberta, se prove eficaz e não tenhamos mais medo de confraternizar e abraçar todo mundo. Quando isso acontecer, e se acontecer, teremos a maior festa do mundo”, analisa o jornalista.

Há quase cem dias em isolamento, Amaury só sai de casa, em São Paulo, para se consultar com seu médico Alexandre Nowil, imunologista. “É com ele que trato da saúde e faço quase terapia para saber mais sobre esse vírus”, conta ele, que costumava sair todas as noites para trabalhar nos endereços mais badalados do país.

Assim como outros profissionais que tiveram a rotina alterada, Amaury teve que se reinventar. “Meu trabalho sempre dependeu do externo. Seja nos eventos ou viagens. Agora, estou fazendo entrevistas gravadas através do Zoom e as pautas têm sido em torno da pandemia. Já entrevistei os maiores médicos e pesquisadores do Brasil para tentar entender e explicar o que se passa. Ainda assim, recebemos uma carga imensa de notícias que, muitas vezes, são desencontradas”, avalia.

Quando a quarentena começou, Amaury, festeiro e workaholic, achou até bom. “Eu que sempre reclamava da falta de tempo, poderia finalmente usar esse ócio para organizar meus arquivos em casa, pensar pautas para discutir com a minha equipe, produzir mais. E sabe o que eu fiz? Nada! Eu passei um mês fazendo absolutamente nada. Essa é a verdade”, confessa.

Amaury diz que teve que dispensar funcionários e adiar a inauguraçao de um novo estúdio que montou como se fosse uma casa. “O projeto arquitetônico previu uma cozinha, mesas no jardim, um bar, e nada disso posso usar porque preciso de pessoas nestes espaços”, lamenta.

Enquanto não pode voltar a fazer o tipo de programa que fazia, às sextas-feiras, na Rede TV!, o jornalista tem colocado no ar, além das entrevistas cada um na sua casa, reprises de viagens que fez. “E notei que a audiência aumentou. Porque as pessoas estão com tanta saudade de viajar que ficam ali, assistindo para aliviar um pouco”, justifica: “Também vi o número dos meus seguidores nas redes sociais dobrar”.

O dia a dia, na companhia da mulher Celina, agora tem sido menos ocioso. “Estou numa fase em que leio muito. Eu comprava livros e deixava para quando houvesse uma brecha. Decidi botar a leitura em dia. Já devo ter lido uns 500 livros. Também estou me cuidando mais. Pelo menos passando meia hora na esteira. Agora, dormir, só com remédio! E, definitivamente, estou bebendo mais vinho”, entrega Amaury: “Esta é uma época em que a gente tem medo de acordar. É acordar para o pesadelo”.

Amaury diz que se estivesse sozinho em casa já tinha “batido o pino”. Mas ele não vê apenas o lado negativo de estar vivendo este momento. Quase aos 70 anos (ele completa em setembro) Amaury diz que foi inevitável não partir para as reflexões que uma doença dessa magnitude traz. “Eu sempre fui consumista. Não sou mais. Quantas coisas não preciso ter! Agora acabou, acabou. Eu percebi que fazia várias coisas erradas e que quero corrigir. Queria colaborar mais, ajudar mais do que ajudo. E olha que consegui reunir amigos com bastante dinheiro para doar às instituições sérias. Eu só não consigo fazer mais e isso me aborrece”, observa: “Não consigo achar que uma doença assim, um vírus, tenha alguma coisa positiva. Mas vendo as grandes crises que o mundo já teve, guerras e pandemias, também houve uma transformação que trouxe ao mundo muitas coisas interessantes, como invenções e novas formas de comportamento. Espero que nesta também tenhamos isso. O que me conforta é que não estou sozinho nisso. Todos estamos passanso pelo mesmo. Mas é cruel demais pensar que existem aí quase 60 mil famílias dilaceradas e enlutadas pela perda de gente querida”.