Sem ganhar cargo de ministro, Pazuello volta ao Exército

Jussara Soares
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BRASÍLIA — Sem espaço no governo, o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, será reintegrado imediatamente ao Exército e deve passar a despachar no Ministério da Defesa. Inicialmente, o presidente Jair Bolsonaro avaliou dar ao militar um cargo com status de ministro, o que garantia a ele a manutenção do foro privilegiado para seguir respondendo no Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que apura a responsabilidade dele na condução da pandemia. Todas as opções cogitadas, no entanto, tiveram resistência no governo e Pazuello, por ora, está desalojado.

Interlocutores do ex-ministro ainda acreditam na possibilidade de em breve ele ganhar uma nova função no governo. Na manhã desta quarta-feira, Pazuello se despediu dos servidores do Ministério da Saúde. Ao lado de seu substituto, Marcelo Queiroga, ele, conforme registrado em uma série de vídeos, disse que perdeu o cargo por pressão política.

Na terça-feira, dia da posse do novo ministro da Saúde, auxiliares do Palácio do Planalto chegaram a dar como certa a ida de Pazuello para o comando da Secretaria Especial do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). Nesse rearranjo, o órgão, atualmente vinculado ao Ministério da Economia, seria transferido para a Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Onyx Lorenzoni, patrocinador da ida de Pazuello para o PPI.

O ministro Paulo Guedes conseguiu barrar as tratativas com o argumento de que a ida do general para o órgão seria malvista pelo mercado e poderia indicar falta de prioridade do governo para as concessões e privatizações. Na noite de terça-feira, o Planalto já tratava como encerrada discussão e dava como certa a volta de Pazuello para a atividade militar.

Anteriormente, na tentativa de abrigar Pazuello, o governo chegou a estudar a criação de um Ministério da Amazônia Legal, o que rapidamente foi descartado por ter resistência interna e também desagradar políticos do Centrão que cobram espaço no Executivo.

Outra opção discutida foi que Pazuello ficasse com a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE). Mas a ideia, que partiu de ministros-generais, acabou gerando uma disputa entre auxiliares oriundos do Exército e da Marinha.

A SAE é comandada pelo almirante Flávio Rocha, que no dia 11 deste mês passou a acumular também o comando da Secretaria Especial de Comunicação (Secom). Rocha, que se tornou um dos principais auxiliares de Bolsonaro, conseguiu evitar a perda de espaço.

Quando Bolsonaro anunciou Marcelo Queiroga como novo chefe da Saúde no último dia 15, Pazuello afirmou a interlocutores que seguiria como ministro e que só faltava o presidente definir em que posição. Sem encontrar um ministério para Pazuello, auxiliares do Planalto passaram a afirmar que o foro privilegiado nunca foi uma questão debatida pelo presidente, que apenas queria manter Pazuello por considerá-lo um bom quadro para o governo.

A volta de Pazuelo ao Exército também é vista com restrição por militares. Integrantes da Força defenderam que o ex-ministro passasse para a reserva. Entre oficiais- generais há receio que o movimento de retorno de Pazuello à atividade do Exército seja interpretado como um vínculo político da instituição, o que tem sido evitado pelo comandante do Exército, Edson Leal Pujol.