Sem mencionar derrota nas urnas, Bolsonaro condena atos de caminhoneiros e diz que seguirá a Constituição

Na primeira manifestação pública desde o fim das eleições, o presidente Jair Bolsonaro agradeceu aos 58 milhões de votos recebidos no domingo e disse que a reação de apoiadores, que interditam rodovias pelo país desde domingo, são "fruto de indignação e sentimento de injustia de como se deu as ultimas eleições". Ele, contudo, condenou os atos ao afirmar que os protestos não podem seguir os métodos da esquerda.

— As manifestações pacíficas serão bem vindas, mas os nosso métodos não podem ser o da esquerda, que sempre prejudicou a população, como invasão de propriedades, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir — afirmou Bolsonaro, num breve comunicado de dois minutos no Palácio da Alvorada, em que não faz menção à derrota nas urnas. Ele também não respondeu perguntas dos jornalistas presentes.

No pronunciamento, o presidente afirmou sempre seguir a Constituição em seus atos e enalteceu a eleição de representantes da direito para o Congresso e "formando diversas lideranças pelo país".

— Mesmo enfrentando todo o sistema superamos a pandemia e as consequencias de uma guerra, sempre fui roptulado de antidemocratico e ao contrario dos meus acusadores sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição — disse. Ele acrescentou: — Enquanto presidente da República e cidadão continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição.

Coube ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, anunciar que o governo cumprirá a lei e coordenará o processo de transição de governo com a equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

— O presidente Jair Messias Bolsonaro me autorizou: quando for provocado, com base na lei, nós iniciaremos o processo de transição. A presidente do PT, segundo ela, em nome do presidente Lula, disse que na quinta-feira será formalizado o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin. Aguardaremos que isso seja formalizado para cumprir a lei no nosso país — disse Ciro.

Ministros do governo federal acompanharam seu pronunciamento. Além de Ciro Nogueira, Cristiane Brito (Mulher, Família e Direitos Humanos), Victor Godoy (Educação) e Marcelo Sampaio (Infraestrutura) e Joaquim Leite (Meio Ambiente).

Dos filhos, apenas o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estava ao lado do pai no momento do pronunciamento. Coordenador da campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, outro nome importante na campanha, também não estava presente.

Bolsonaro já havia se reunido de manhã com alguns integrantes do ministério, como Paulo Guedes (Economia), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União).