Sem neve, Sul registra novo recorde de temperatura negativa, com -8,9 °C em SC

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***ARQUIVO***URUBICI, SC, 14.06.2018: Placa de sinalização de tráfego na SC-112, perto do município de Urupema. A cidade atrai turistas pelas baixas temperaturas no inverno. (Foto: Victor Parolin/Folhapress)
***ARQUIVO***URUBICI, SC, 14.06.2018: Placa de sinalização de tráfego na SC-112, perto do município de Urupema. A cidade atrai turistas pelas baixas temperaturas no inverno. (Foto: Victor Parolin/Folhapress)

CURITIBA, PR, RIO DE JANEIRO, RJ, BELO HORIZONTE, MG, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A forte massa de ar frio de origem polar que se espalha sobre vários estados brasileiros provocou geadas e temperaturas abaixo de zero em diversas áreas do país na madrugada e manhã desta sexta-feira (30).

Em Santa Catarina, o amanhecer congelante rendeu um novo recorde. Em Urupema, na Serra, os termômetros registraram -8,9 °C, às 7h. Segundo o Epagri/Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina), essa é a menor temperatura do ano no estado e no Brasil.

A mínima mais baixa havia sido registrada na quinta-feira (29), em Bom Jardim da Serra, com -8,6°C. Ao contrário dos últimos dias, não houve registro de neve no Sul, mas as temperaturas caíram ainda mais.

Ao menos 29 municípios do Paraná amanheceram com temperaturas negativas nesta sexta-feira (30), segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). O cenário congelante foi mais extenso do que o registrado no dia anterior.

O recorde de temperatura negativa ocorreu em General Carneiro, no extremo sul do estado, onde os termômetros marcaram -7,3 °C. O distrito de Entre Rios, em Guarapuava, na região centro-sul, registrou -4,3 °C pela manhã.

Mesmo com médias mais amenas a depender da área, todas as regiões paranaenses registraram temperaturas menores do que 5 °C nas primeiras horas do dia –as mais altas só ocorreram no noroeste do estado.

Em Curitiba, pelo segundo dia consecutivo, a temperatura ficou abaixo de 0 °C, chegando a -0,6 °C. Pontos turísticos da cidade, como o Jardim Botânico e o Parque Tingui, amanheceram cobertos de branco pela geada forte.

No Rio Grande do Sul, os termômetros chegaram a marcar -7,2ºC em Vacaria, próximo à divisa com Santa Catarina, nos Campos de Cima da Serra, segundo o Epagri/Ciram.

O monitoramento do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indica temperatura de -4ºC no município nesta sexta -a variação em estações na mesma cidade é comum dependendo do ponto onde a estação de medição está instalada. O instituto aponta que a menor temperatura em território gaúcho no dia foi registrada em Bom Jesus e Serafina Côrrea, ambos com -4,2ºC.

Segundo um levantamento da empresa de meteorologia MetSul, que usa dados das duas bases e de estações particulares, 75 municípios gaúchos tiveram temperaturas negativas nesta sexta-feira (30). O número pode ser maior considerando que nem todos os municípios têm instrumentação meteorológica. Houve geada generalizada em várias regiões do estado.

Porto Alegre registrou 2,1ºC, mas muitos municípios da região metropolitana ficaram abaixo de 0ºC. Apesar do frio intenso, no amanhecer de sexta, quem circulava pelo centro da capital gaúcha, no entorno da estação rodoviária, via várias pessoas dormindo na rua.

Segundo a prefeitura, algumas pessoas em situação de rua recusam o convite das equipes para serem levados ao acolhimento. O ginásio Gigantinho, ligado ao Internacional, aberto desde terça-feira em uma ação para a onda de frio desta semana, acolheu 102 pessoas no primeiro dia, 128 no segundo e 74 na quinta-feira.

Ao todo, segundo a Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania), 526 pessoas em situação de rua foram acolhidas equipamentos do município nesta quinta. O governo do Rio Grande do Sul está promovendo um “cobertaço” nesta sexta-feira, com coleta de cobertores em um drive-thru montado em frente ao Palácio Piratini, sede do Executivo em Porto Alegre, entre 9h e 17h.

As previsões apontam para o distanciamento da massa de ar polar da região sul do país nos próximos dias, com elevação gradativa das temperaturas a partir da tarde desta sexta.

“A massa de ar mais seca predomina sobre o Sul do Brasil e a condição é de tempo mais firme e estável. Esse final de semana ainda será de frio, especialmente nas madrugadas e amanhecer. No início da próxima semana também faz frio, mas não tão intenso como estes últimos três dias”, informou o meteorologista do Epagri/Ciram, Marcelo Martins.

O frio intenso ultrapassou as barreiras do Sul e se espalhou para outras regiões brasileiras. Nos registros do Inmet, a geada apareceu até em Sorocaba (SP) e em Machado, no sul de Minas Gerais.

Belo Horizonte registrou nesta sexta-feira a menor temperatura do ano com 6,3 °C, superando a marca anterior para o período, de 7,6 °C, ocorrida no último dia 20.

Os dados são do meteorologista Lizandro Gemiacki, do Inmet na capital. Os 6,3 °C foram captados na estação Cercadinho, que fica no ponto considerado o mais frio do município.

Com a queda na temperatura na cidade, a prefeitura colocou em funcionamento plano de contingência para população de rua que vai vigorar até 5 de agosto.

Equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social vão, conforme o município, aumentar sobretudo no período noturno, as abordagens a quem vive nas ruas. O foco é tentar convencê-los a se dirigem a abrigos públicos.

Antes mesmo da temperatura na cidade bater novo recorde de baixa, o frio em Belo Horizonte já havia aumentado a procura por roupas de frio na rede de proteção a moradores de rua montada pela pastoral da arquidiocese da capital.

Na semana passada, conforme informações da entidade, ocorreu a entrega de 600 agasalhos, ante 400 na semana anterior. A pastoral recebe doações individuais e de grupos de apoio a pessoas carentes.

Já no Rio de Janeiro, a madrugada foi menos fria do que se esperava. Como várias capitais do Sul e do Sudeste, a cidade tinha chance de bater o recorde de menor temperatura do ano (8,4°C), mas atingiu a mínima de 12,6°C na região de Jacarepaguá (zona oeste), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Ainda assim, a prefeitura reforçou nos últimos dias as equipes que oferecem acolhimento às pessoas em situação de rua (mais de 60 aceitaram), criou vagas emergenciais em abrigos, retomou a campanha do agasalho e abriu pontos de apoio por 24 horas para distribuir alimentos, água, roupas e cobertores.

Desde terça (27), os cariocas também têm sofrido com a ressaca que atinge o litoral brasileiro de Santa Catarina até a cidade fluminense de Arraial do Cabo. Nesta quinta (29), o mar avançou sobre a avenida da praia no Leblon, na zona sul, por exemplo. Um trecho da via foi interditado, e a ciclovia ficou repleta de areia.

A Marinha emitiu um alerta dizendo que ondas de até quatro metros podem chegar à orla da cidade até a noite deste sábado (31). A recomendação é para que as pessoas evitem mergulhar, navegar ou praticar esportes e não fiquem em mirantes ou outros locais próximos ao mar durante esse período.

O motivo é um ciclone extratropical na costa do Uruguai e do Rio Grande do Sul que causa um vento forte no oceano, segundo o Climatempo. A lua cheia também ajuda a elevar o nível das marés e a altura das ondas. Como ela está alinhada com o Sol e a Terra, a força gravitacional é ainda maior.

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