Sem Neymar e Jorge Jesus, Fifa elege melhores do mundo sob crítica aos finalistas

Marcello Neves
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Multicampeão com o Bayern de Munique, Robert Lewandowski é o favorito ao prêmio The Best, que elege hoje em Zurique, na Suíça, o melhor jogador do mundo na temporada 2019/2020. Mas, ao contrário do ano irretocável do polonês, coroado com o título da Liga dos Campeões, seus concorrentes tiveram desempenho longe do habitual. Mesmo assim, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, protagonistas da última década, mantiveram as “cadeiras cativas” na premiação, deixando de fora atletas que fizeram campanhas elogiáveis, como Neymar e Kevin De Bruyne. A ausência dos dois, aliás, é uma das críticas à premiação deste ano.

Mesmo não sendo absurda, a presença dos astros de Barcelona e Juventus engrossa a lista de discussões que o prêmio vem levantando desde 2018, quando Luka Modric foi eleito.

— Essa eleição é muito subjetiva, não tem critérios técnicos definidos. É a mesma coisa do Carnaval, como você avalia bateria? (risos). Vai muito da avaliação subjetiva de cada um. Acredito que o Tite votou no Neymar, até porque mereceu. Assim como eu votei no Ronaldinho em 2006 — diz Carlos Alberto Parreira.

A votação é divida em quatro colégios eleitorais. Um painel de especialistas seleciona dez indicados. O público geral, capitães e treinadores de seleções e um jornalista de cada país associado à Fifa votam em três nomes. O primeiro ganha cinco pontos; o segundo, três; e o terceiro, um. Quem somar mais, vence.

— Combinei o desempenho “mensurável” — que títulos ganhou, quantos gols, quantas partidas— com aspectos menos tangíveis, tipo admiração que desperta, sensações que geram em quem assiste — conta Martín Fernandez, colunista do GLOBO, que votou na premiação. Quem participa, não pode revelar antecipadamente suas escolhas.

O voto do público, por sua vez, é dominado por fã-clubes, que fazem campanhas nas redes sociais para eleger os seus atletas favoritos — como em um reality show. O mais midiático leva vantagem, o que ajuda a explicar a presença de nomes como Messi e Cristiano.

Entre capitães, nas últimas quatro votações, é possível ver blocos bem divididos: a maioria dos países da América do Sul dá alta pontuação a Messi, enquanto os da Europa preferem Cristiano Ronaldo e os da África se dividiram, nos últimos prêmios, entre nomes como Salah, Sadio Mané e Aubameyang. Ásia e Oceania, divididos. Há casos como o de Sergio Ramos, capitão da Espanha, que elegeu o companheiro de Real Madrid, Eden Hazard, para melhor do mundo em 2019. O belga havia feito 22 jogos e um gol.

Já a eleição das mulheres vai pelo caminho contrário. Essa popularidade de Messi e Ronaldo era vista em Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo, mas a votação passou a ser mais distribuída nos últimos anos. Hoje, a favorita é Pernille Harder.

— Antes, a Marta ganhava no automático, apesar de merecido. Hoje há mais acesso e mais pessoas que acompanham o futebol feminino. Há uma preocupação maior por parte de quem vota — conta a repórter do GLOBO Tatiana Furtado, que votou na eleição feminina.

Outras polêmicas da premiação

A escolha dos finalistas causou polêmica até no mundo do futebol. Neymar ironizou o prêmio afirmando que iria jogar basquete. Ex-Flamengo, Jorge Jesus não escondeu a irritação por não ser indicado ao prêmio de melhor técnico.

— Se o Jesus tivesse ganho os títulos que ganhou na América do Sul, mas na Europa, ele teria sido votado. Eu adoro o Bielsa, todo mundo se inspirou nele, mas ganhar a segunda divisão do inglês, é discutível — diz Carlos Alberto Parreira.

No feminino, o Corinthians foi citado como “time dos recordes” por obter a maior sequência de vitórias na história do futebol. Mas o técnico Arthur Elias foi esquecido.

Confira a lista completa:

Melhor jogador

Cristiano Ronaldo (Portugal - Juventus)

Lionel Messi (Argentina - Barcelona)

Robert Lewandowski - (Polônia - Bayern de Munique)

Melhor jogadora

Lucy Bronze (Inglaterra - Lyon/Manchester City)

Pernille Harder (Dinamarca - Wolfsburg/Chelsea)

Wendie Renard (França - Lyon)

Melhor goleiro

Alisson Becker (Brasil - Liverpool)

Manuel Neuer (Alemanha - Bayern de Munique)

Jan Oblak (Eslovênia - Atlético de Madrid)

Melhor goleira

Sarah Bouhaddi (França - Lyon)

Christiane Endler (Chile - PSG)

Alyssa Naeher (Estados Unidos - Chicago Red Stars)

Melhor técnico em times masculinos

Marcelo Bielsa (Argentina - Leeds)

Hans-Dieter Flick (Alemanha - Bayern de Munique)

Jürgen Klopp (Alemanha - Liverpool)

Melhor técnico ou técnica em times femininos

Emma Hayes (Inglaterra - Chelsea)

Jean-Luc Vasseur (França - Lyon)

Sarina Wiegman (Holanda - Seleção da Holanda)

Prêmio Puskás

Giorgian De Arrascaeta (Uruguai - Flamengo) - Barcelona x Mallorca (Campeonato Espanhol - 7 de dezembro de 2019)

Son Heung-min (Coreia do Sul - Tottenham) - Tottenham x Burnley (Campeonato Inglês - 7 de dezembro de 2019)

Luis Suárez (Uruguai - Barcelona/Atlético de Madrid) - Ceará x Flamengo (Brasileirão - 25 de agosto de 2019)