Sem nomear candidatos, FHC pede votos 'pela democracia'

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu nesta quinta-feira (22) que os eleitores votem "pela democracia", a dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais,  solicitando, implicitamente, que não votem no presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, mas sim no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem nomear nem um, nem outro.

"Peço aos eleitores que votem no dia 2 de outubro em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade (...) e está empenhado na preservação de nosso patrimônio ambiental, no fortalecimento das instituições", declarou FHC, em nota intitulada 'Voto pró-democracia', publicada no Twitter.

Fernando Henrique (PSDB), que governou o país entre 1995 e 2002, e que, aos 91 anos, continua sendo uma personalidade respeitada, investiu, de forma indireta, contra Bolsonaro, que ataca as instituições e a confiabilidade das urnas eletrônicas, alimentando os temores de que possa não respeitar os resultados do pleito em caso de derrota.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o principal adversário do presidente e favorito a vencer as eleições, com 45% das intenções de voto contra 33%, segundo a última pesquisa Datafolha. Lula, que ocupou a Presidência entre 2003 e 2010, busca constituir uma frente ampla de "defesa da democracia".

Oficialmente, o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) - do qual FHC é presidente honorário - apoia a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB), quarta colocada nas pesquisas, com 5% das intenções de voto.

Lula tenta definir a eleição no primeiro turno e tem pedido o "voto útil" em 2 de outubro, mas, segundo as pesquisas, o cenário mais provável é de que a disputa se estenda ao segundo turno, em 30 de outubro.

Esta semana, Lula se encontrou com oito ex-candidatos à Presidência, entre eles a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede Sustentabilidade), que deixou o governo em 2008, mas declarou apoio ao candidato do PT, na esperança de derrotar Bolsonaro.

Nesta quarta-feira, políticos e intelectuais de esquerda da América Latina publicaram uma carta, pedindo ao candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT), atualmente em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, que se retire da corrida eleitoral, para facilitar a vitória de Lula.

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