Sem notícias há três dias, família suspeita que entregador tenha sido capturado por traficantes na Zona Norte do Rio

Carolina Heringer e Marcos Nunes
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Foto: Arquivo pessoal / Reprodução

Morador de Acari, na Zona Norte do Rio, o entregador de farmácia Douglas de Oliveira Figueiredo, de 20 anos, está desaparecido desde a última sexta-feira, dia 29 de janeiro. A família suspeita que o rapaz, que trabalha em uma rede de farmácias, tenha sido capturado e morto por traficantes em Coelho Neto, após ter sido confundido com um criminoso de uma facção rival.

De acordo com informações de familiares, Douglas desapareceu após ter ido fazer uma entrega na Rua Guaxindiba, em Coelho Neto. Na via, há uma boca de fumo controlada por traficantes da comunidade Proença Rosa.

O caso foi registrado na 39ª DP (Pavuna). A Proença Rosa é dominada por traficantes da maior facção criminosa do Rio, rivais dos criminosos que atuam na favela da Acari, onde Douglas mora.

Bandidos chegaram a gravar um vídeo no qual o rapaz é ameaçado e agredido por um criminosa que empunha uma pistola . Na gravação, que circula em redes sociais, o jovem aparece com sangue no rosto.

No vídeo, o criminoso que faz a gravação pergunta a Douglas o que ele faria na "Guaxa", referindo-se à Rua Guaxindiba. O entregador responde que "daria o bote". O traficante, então, retruca, perguntando se ele estava "panguando", que na gíria das comunidades significa não estar prestando atenção, estar desatento.

Familiares acreditam que Douglas tenha sido obrigado a dizer, na gravação, que "daria o bote", que significa atacar a facção rival. Os parentes afirmam que o entregador não tem envolvimento com o tráfico. A Polícia Civil também não encontrou qualquer indício de que Douglas tenha envolvimento com os criminosos.

As suspeitas da polícia são de que o entregador tenha sido confundido com traficantes rivais aos da Proença Rosa ou que ele tenha sido morto apenas por residir em uma favela comandada por criminosos de outra facção.

Nesta segunda-feira, dia 1º, policiais da 39ª DP (Pavuna) fizeram buscas pelo entregador, mas ele não foi localizado. Os investigadores chegaram a fazer buscas pelo corpo do rapaz em um rio da região, mas nada foi encontrado. A mãe de Douglas acompanhou as buscas.

O entregador tem um filho de 2 anos e será pai pela segunda vez, ainda este mês. A família do jovem fez um apelo pedindo informações para encontrar o entregador.

— Estamos desesperados com isso tudo que está acontecendo. O Douglas é um menino bom que nunca teve problemas com a polícia e jamais se envolveu com coisa errada. Vai ser pai pela segunda vez a qualquer momento. A esposa dele está para dar a luz. Estamos todos a poder de remédios. Tudo o que queremos é saber o que aconteceu. Por favor, nos ajudem com alguma informação — disse um parente do rapaz.

Um familiar disse que ainda tem esperanças de encontrar Douglas com vida.

— Ainda temos esperanças sim de encontrar o Douglas vivo. Ninguém na família está conseguindo dormir com este problema — disse o parente do rapaz.

Nesta segunda-feira, a investigação do caso foi transferida para a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). A Delegacia da Pavuna atuará auxiliando a especializada com informações da região.