Sem 'nota fantasma', inscrições para o Sisu terminam nesta quarta-feira

João de Mari
·6 minuto de leitura
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JANUARY 17:  Students wearing protective masks wait in line at the Rio de Janeiro State University (UERJ) for the National High School Exam (ENEM) on January 17, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Despite 15 Brazilian states showing an increase in the number of deaths from Coronavirus (Covid-19), the government maintained the exam and 5.7 million candidates are confirmed.  (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
O MEC divulgou o cronograma oficial, que deve anunciar o resultado das chamadas na próxima sexta-feira (16) (Foto: Andre Coelho/Getty Images)
  • As inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), para tentar uma vaga em uma universidade pública do país, terminam nesta quarta-feira (14)

  • O Ministério da Educação divulgou o cronograma oficial, que deve anunciar o resultado das chamadas na próxima sexta-feira (16)

  • Neste ano, o sistema já não utiliza a chamada "dupla classificação" ou "nota fantasma", como é conhecido pelos estudantes

As inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), para tentar uma vaga em uma universidade pública do país, terminam nesta quarta-feira (14). O MEC (Ministério da Educação) divulgou o cronograma oficial, que deve anunciar o resultado das chamadas na próxima sexta-feira (16). 

Neste ano, serão ofertadas 209.190 mil vagas, distribuídas em 5.685 mil cursos de graduação. Veja o site do Sisu. As matrículas deverão ser realizadas no período entre 19 e 23 de abril. Confira o cronograma.

Leia também

Datas do cronograma

  • O resultado sai na sexta (16)

  • As matrículas nas instituições de ensino serão realizadas no período entre 19 e 23 de abril

  • A documentação necessária é informada pela instituição de ensino

  • Estudantes que não forem chamados para uma vaga nesta etapa poderão entrar em uma lista de espera que estará aberta entre 16 e 23 de abril

Para concorrer às vagas do Sisu, o candidato não pode ter zerado na redação do Enem e não pode ter prestado o exame na condição de treineiro. O MEC disponibiliza o telefone 0800-616161 para dúvidas dos candidatos.

Sem "nota fantasma" no Sisu

Neste ano, o sistema já não utiliza a chamada "dupla classificação" ou "nota fantasma", como é conhecido pelos estudantes.

O retorno à metodologia antiga é uma resposta a uma série de críticas de estudantes e professores nas redes sociais. Segundo os relatos, a “classificação dupla” e a “nota fantasma” estariam causando uma inflação nas notas de corte, prejudicando a inscrição dos estudantes. 

Com a decisão anunciada pelo MEC, no último domingo (11), houve reclamações dos estudantes por elevar temporariamente as notas de corte. Segundo eles, isso tirava a referência sobre chances de classificação. Para o MEC, é apenas a retomada do formato utilizado até 2019. 

De acordo com a pasta, a mudança atende a "apelos contrários" ao sistema usado em 2020 e mantido inicialmente neste ano. 

Mesmo sendo considerado um erro no sistema, o MEC também nega que o cálculo diferente tenha elevado a alguma ocupação indevida de vagas no ensino superior. 

Estudantes "sem referência" para escolha de universidade

Na semana do último dia 6, em um ofício, enviado à Defensoria Pública da União, a deputada federal Tabata Amaral (PDT) escreveu que a “nova metodologia adotada no SISU infla artificialmente as notas de corte das simulações, deixando cerca de 3 milhões de alunos sem referências para saber em quais universidades irão se candidatar”.

"Recebi vários relatos de estudantes e professores preocupados com a nova metodologia do SiSU, que prejudica a escolha dos candidatos. Por isso, enviei ofício ao MEC pedindo mais prazo e que eles revejam a metodologia. Pedi tb à Defensoria Pública da União providências judiciais!", escreveu ela no Twitter.

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A deputada também afirmou que a mudança no sistema poderia causar uma onda de estudantes escolhendo “outra instituição ou curso diferente do pretendido apenas para conseguir ter acesso ao Ensino Superior — o que pode gerar, no pior do cenário, um aumento na taxa de evasão e um dispêndio desnecessário de recursos públicos.”

Na sexta-feira (9), a resposta do MEC foi ampliar o prazo das inscrições, adicionando mais cinco dias ao processo, que se encerra nesta quarta-feira (14).

A alteração, porém, não agradou os candidatos. Em um vídeo publicado nas redes, Amaral diz que a decisão de ampliação foi um ato unilateral do MEC, sem consulta aos participantes.

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Com mais cinco dias de processo seletivo adicionados, muitos candidatos que já se consideravam aprovados na sexta-feira viram suas notas não passarem nas novas classificações.

Um deles, escreveu nas redes sociais: "Só pra deixar registrado que caso o SISU não tivesse prorrogado eu já teria passado na USP".

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Visualização da classificação real

A partir desta terça-feira (13), a forma com que apresenta a nota de corte do Sisu mudou no sistema. A decisão reverte decisão do antecessor na Educação, o ex-ministro Abraham Weintraub, que foi muito criticada por estudantes à época.

No ano passado, o MEC começou a organizar a apresentação dos dados de forma com que as notas de cortes ficavam artificialmente mais altas, o que, na prática, inutilizava o recurso que baliza a escolha dos candidatos.

É importante que os estudantes estejam atentos com relação à documentação solicitada. (Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)
É importante que os estudantes estejam atentos com relação à documentação solicitada. (Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)

Como funcionava o método de "nota fantasma"

Até 2020, o MEC organizou a apresentação dos dados de forma com que as notas de cortes fiquem artificialmente mais altas, o que, na prática, inutiliza o recurso que baliza a escolha dos candidatos.

Neste modelo, era provável que as notas de corte fossem menores do que as do dia quando final, quando o sistema é fechado. Isso significa, na prática, que alunos que não estavam entre os aprovados no último dia podem conseguir uma vaga.

Em anos anteriores, o sistema não considerava, para a nota de corte, a segunda opção dos candidatos que já estavam sendo selecionados na primeira opção de curso. A "nota fantasma", no entanto, não faz isso.

"O que gera uma dupla classificação. Ou seja, um mesmo candidato ocupa temporariamente duas vagas, gerando algo como uma 'classificação fantasma'. Isso ocorre pois, ao sair o resultado, caso o candidato seja aprovado em sua primeira opção, ele desaparecerá da lista de classificados da sua segunda opção, fazendo com que outros candidatos em posições inferiores durante as prévias ganhem várias colocações no momento do resultado da chamada regular" 

— Frederico Torres, coordenador do Colégio Pódion, no Rio de Janeiro, e especialista em Sisu ao jornal O Globo

Um dos alunos de Torres terminou o último dia do Sisu de 2020 na 83ª posição. Com o fechamento do sistema — e, portanto, a saída da lista de quem colocou aquele curso como segunda opção — ele subiu para a 43ª.  

Neste caso, o problema é que é impossível prever quantas classificações fantasmas estão à frente do candidato.

O que é o Sisu

O Sisu é um sistema que usa as notas do Enem para que candidatos tentem uma vaga nas universidades públicas brasileiras.

Durante os quatro dias em que o Sisu fica aberto para inscrições, os estudantes podem mudar livremente as duas opções de curso e universidade que indicam em seu perfil (embora, ao final, a matrícula será feita em apenas uma delas).

O sistema pode ser comparado a um leilão. Isso porque a pontuação dos candidatos que se inscrevem em um curso vai determinar a nota de corte.