Sem novo ato com Lula, PSB aposta em ataques a Marília Arraes por 2º turno em PE

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Na reta final da campanha, o PSB tenta alavancar a candidatura de Danilo Cabral, que tem o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para chegar ao segundo turno para o Governo de Pernambuco.

A principal estratégia da sigla, desde o início, tem sido fazer críticas a Marília Arraes (Solidariedade), que lidera a disputa com 33% das intenções de voto, segundo pesquisa Ipec divulgada em 21 de setembro.

A campanha de Danilo avalia que Marília já tem vaga assegurada no segundo turno. O objetivo, assim, é diminuir a vantagem para que, caso o PSB avance, consiga desidratar a candidata num segundo turno.

Danilo aparece com 11%, em empate quádruplo com nomes do centro e da direita, como o bolsonarista Anderson Ferreira (PL) e os candidatos Miguel Coelho (União Brasil) e Raquel Lyra (PSDB).

Nos últimos dias, os quatro postulantes do segundo pelotão têm feito mais críticas a Marília, na tentativa de se firmar como contraponto a ela e atrair eleitores para se consolidar na segunda posição.

O candidato do PSB tenta associar a líder nas pesquisas às emendas de relator --distribuídas por critérios políticos e que permitem a congressistas mais influentes abastecer seus redutos eleitorais--, já que, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, ela pediu R$ 3,6 milhões para compra de equipamentos agrícolas a associações, prefeituras e centros sociais no estado, embora ainda não tenha recebido o valor.

Danilo também tem questionado as ausências da deputada em sessões de votação na Câmara e comparado a atuação dela à dele --ambos são deputados federais. Já os outros rivais miram a experiência de Marília, alegando que ela não tem preparo para governar.

Ex-prefeitos de Caruaru e Petrolina, Raquel Lyra e Miguel Coelho criticam a adversária por não ter comparecido aos debates realizados até o momento. Candidato apoiado por Bolsonaro, Anderson Ferreira (PL), ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, segunda maior cidade do estado, também não foi a dois eventos do tipo. A avaliação de aliados é que, sem Marília, ele se tornaria o alvo principal dos adversários.

No PSB, Danilo seguirá sem poupar críticas a Marília até o fim do primeiro turno, com o acréscimo de que também vai mirar Raquel e Miguel na reta final. No núcleo interno, o PSB tem evitado aparições públicas do governador Paulo Câmara, seja em atos de rua ou na propaganda de TV, para que a campanha não seja contaminada pela alta reprovação --56% de ruim ou péssimo, segundo o Ipec-- ao atual gestor.

O partido contava com uma visita de Lula a Pernambuco até o primeiro turno. Mas, como mostrou a Folha de S.Paulo, o petista vai concentrar a campanha no Sudeste e não fará novas visitas ao Nordeste até 2 de outubro.

Para compensar, o candidato do PSB fez gravações com o ex-presidente nesta semana em São Paulo para a propaganda de rádio e TV. Assim, o postulante do PSB espera tirar mais votos de Marília, que caiu cinco pontos percentuais na última pesquisa Ipec, voltando aos 33% do começo da campanha.

Para endossar as críticas a Marília e reforçar o elo com Lula, Danilo conta com o apoio de Teresa Leitão (PT), que disputa o Senado em sua chapa. Interlocutores, no entanto, avaliam que ela está em uma encruzilhada, porque conta com votos de eleitores de Marília e porque foi uma das principais aliadas da hoje candidata do Solidariedade nos seis anos em que foi filiada ao PT.

Na campanha, Teresa, que se apresenta como "a senadora de Lula", faz críticas em tom moderado a Marília, na tentativa de se equilibrar para não ser prejudicada pelo desgaste do PSB.

A campanha de Arraes afirma acreditar que, caso Danilo não vá ao segundo turno, Lula, que tem 64% das intenções de voto no estado, segundo o Ipec, apoiaria a candidata, seja contra Ferreira, Coelho ou Lyra.

Ainda que continue no páreo, o fato de um candidato a governador pelo PSB não ter uma perspectiva clara de que estará no segundo turno é algo inédito a essa altura da campanha eleitoral desde que o partido chegou ao poder, em 2007, com Eduardo Campos (1965-2014).

A dificuldade é atribuída à ausência de uma coordenação central eficaz na campanha de Danilo. Interlocutores do candidato a governador e postulantes a deputado federal do PSB reconhecem, em reserva, que o ex-prefeito do Recife Geraldo Julio faz falta no comando da campanha. Ele foi um dos articuladores da busca pela reeleição de Paulo Câmara em 2018, com vitória no primeiro turno.

Geraldo era tido como o candidato natural do PSB até o começo de 2022. Ele, no entanto, afirmou reiteradas vezes que não disputaria a sucessão de Câmara. Segundo aliados, ambos têm uma relação conturbada, mesmo que ele seja o atual secretário de Desenvolvimento Econômico do governo.

Os problemas internos fazem com que as bases coloquem em xeque a competitividade do partido. Membros do PSB, inclusive, dizem que estão cientes de que há candidatos a deputado federal e estadual, além de prefeitos da base aliada, fazendo jogo duplo, principalmente no interior, em flerte com opositores.