Sem obras pra reduzir poluição, Rio pode ter novo verão da geosmina

Selma Schmidt
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O pescador Edson Monteiro, que tira seu sustento da lagoa de captação do Guandu, coloca sacos de areia para impedir a passagem da poluição do Rio dos Poços: “Cada vez há mais esgoto. Estamos quase sem peixe, e a tendência é piorar”
O pescador Edson Monteiro, que tira seu sustento da lagoa de captação do Guandu, coloca sacos de areia para impedir a passagem da poluição do Rio dos Poços: “Cada vez há mais esgoto. Estamos quase sem peixe, e a tendência é piorar”

Morador de São Cristóvão, o motorista José Amorim não se livrou do trauma da geosmina — composto orgânico produzido por micro-organismos que indica a presença de esgoto na água. Desde janeiro, sua família e ele só bebem água mineral. A fornecida pela Cedae, diz Amorim, não está escura, mas continua com cheiro ruim. Pior é que, com a proximidade do verão, especialistas em saneamento temem que o abastecimento volte a ser comprometido. A preocupação é reforçada porque, dez meses após a crise hídrica, o projeto de um paliativo para a captação do Rio Guandu, o das “geobags”, empacou. A solução foi anunciada há cinco meses e, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), encontra-se em fase de revisão.

Enquanto isso, a poluição nas imediações da estação de tratamento da Cedae, em Nova Iguaçu, assusta. No Rio dos Poços, que deságua nas lagoas do Guandu, camadas de espuma revelam que resíduos do polo industrial de Queimados seguem sendo lançados nos cursos d’água. O assoreamento no rio é tanto que um trecho virou uma ilha artificial de garrafas PET cobertas por vegetação.

— A geosmina foi um alerta. Só que nada foi feito — afirma o biólogo Mário Moscatelli. — Passaram a colocar carvão na água, o que dá conta do cheiro e do gosto. Mas ainda chegam ao Guandu dejetos e resíduos industriais que descem por rios da Baixada. A estação não é para tratar esgoto. A solução é sanear a Bacia do Guandu, o que é estimado em R$ 1,4 bilhão.