Sem precisar de transplante, homem é operado por engano e morre no Rio

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Cirurgia foi realizada por engano, e paciente morreu horas depois (Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
Cirurgia foi realizada por engano, e paciente morreu horas depois (Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
  • Francisco das Chagas de Oliveira morreu no ano passado após ser submetido a cirurgia por engano

  • O homem teve uma hemorragia horas depois do procedimento que lhe daria um novo rim

  • O órgão, porém, deveria ser destinado a Francisco das Chagas de Oliveira Moura, que segue à espera do transplante

Um homem morreu no Rio de Janeiro após ser submetido a uma cirurgia por engano. Francisco das Chagas de Oliveira, de 58 anos, receberia o rim que deveria ser destinado a Francisco das Chagas de Oliveira Moura, de 52, e morreu apenas horas depois da operação.

O caso foi divulgado pelo Fantástico, da TV Globo, na noite do último domingo. De acordo com a matéria, a Secretaria Estadual de Saúde descobriu o erro na prestação de contas da operação. A apuração ficou nas mãos do Ministério Público e da polícia, que abriu inquérito.

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Segundo a investigação o erro começou em 29 de setembro de 2020, quando a Central de Transplantes do Rio de Janeiro notificou o Hospital São Francisco sobre a doação de rins que iriam para dois pacientes no topo da fila pelo órgão.

Os dois Franciscos, coincidentemente, faziam tratamento de hemodiálise justamente neste hospital. O mais velho, porém, não necessitava do transplante. Mesmo assim, foi chamado para a realização da cirurgia.

A filha do senhor, Jaqueline Oliveira, explicou que o pai foi ao hospital desfazer o engano. Mas, após conversas com enfermeiras e médicas, acabou mesmo sendo encaminhado para a sala de operações.

Francisco ainda lamenta não ter recebido o rim que seria seu por direito - Foto: Reprodução/TV Globo
Francisco ainda lamenta não ter recebido o rim que seria seu por direito - Foto: Reprodução/TV Globo

O transplante, porém, sequer foi finalizado, porque Francisco apresentava problemas vasculares graves. O senhor de 58 anos sofreu uma hemorragia e morreu no dia seguinte ao procedimento. O rim precisou ser descartado, uma vez que não poderia mais ser usado em outro paciente.

Investigação por homicídio culposo

A polícia indiciou as assistentes sociais Maria da Conceição Loroza e Vanda Regina Braga, além das médicas Lívia Maria Silva Assis e Deise Rosa de Boni Monteiro Carvalho, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Foram elas as responsáveis pelo erro que resultou na cirurgia de Francisco.

Já o outro Francisco, de 52 anos, continua na fila de espera por um rim, realizando hemodiálise três vezes por semana. Ele contou que só ficou sabendo de toda a confusão, que tirou a vida de seu homônimo, após ser avisado pela polícia.

“Fiquei indignado. Estou aguardando o transplante, e de repente fico sabendo pela polícia que o rim que seria para mim foi para uma pessoa nada a ver”, declarou. “Eu podia estar me recuperando, já transplantado”, lamentou.

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