Sem preconceito: pole dance ganha mais espaço nas academias

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RIO — O pole dance entrou na vida de Mi Monteiro como uma brincadeira. Ela tinha 41 anos quando viu uma barra em uma sex shop. Sentiu curiosidade e decidiu experimentar. Oito anos se passaram e hoje ela é, além de professora, responsável, junto com a sócia Mari Kohara, pelo M2 Pole Studio. O espaço é o primeiro licenciado da marca Ultra, da professora e empresária Vanessa Costa, fundadora da Federação Brasileira de Pole Dance. Começou a funcionar em outubro, na Barra, dentro da academia KS, na Avenida Armando Lombardi, e já tem 15 turmas (com no máximo cinco alunas cada) de níveis básico, intermediário e avançado. As aulas, oferecidas de manhã, à tarde e à noite, duram uma hora e meia.

— Fiz diversas atividades físicas, mas não era amante de nenhuma. Com o pole, foi desafiador. Comecei a trabalhar músculos que nem sabia que existiam. E superei a timidez. Nunca me imaginei me apresentando ou dando aulas — conta Mi Monteiro.

Fisicamente, ela também sentiu mudanças.

— Os braços, as costas, as pernas e o abdômen ficam muito mais definidos. E o corpo, no geral, ganha tônus muscular — explica Mi. — Também me vejo mais feminina, mesmo praticando um pole dance acrobático.

Uma de suas alunas é Marina Valadão, de 33 anos, técnica de nado artístico do Flamengo. Na infância, ela fez aulas de balé e sapateado. Adulta, se aventurou no surfe. Em 2017, chegou ao pole dance, e conta que os exercícios a ajudaram a ter mais flexibilidade e força, principalmente nos braços.

— Era algo que eu não tinha, pois meus movimentos se concentravam mais nas pernas, por causa da dança. Também melhorei em resistência, coordenação motora e capacidade aeróbica. Antes fazia três movimentos e ficava ofegante. Hoje consigo até bater papo de cabeça para baixo — brinca Marina.

Recém-iniciada no pole dance, a gerente comercial Bianca Mota, de 46 anos, conta que começou a praticar depois que a filha, Beatriz, marcou uma aula experimental para as duas no M2.

— Pedalo, nado e corro, mas nunca tinha feito nada que trabalhasse meus músculos de forma tão completa. Noto principalmente uma resistência maior nos membros superiores — conta Bianca, que, até agora, fez três aulas. — Cada vez que prendo a coxa na barra, caio. Mas é um exercício que quebra barreiras. Nunca achei que sustentaria meu corpo com o antebraço, por exemplo.

Para a francesa Laura Wajnberg, de 27 anos, o pole dance foi a chance de voltar a se exercitar.

— Patinei por 12 anos. Um dia, torci o joelho e, quando me recuperei, tive medo de voltar e optei pelo pole dance. Uma colega de trabalho fazia, e vi como o corpo dela foi mudando — conta.

Contra o preconceito

Muitas vezes associado à prostituição e a clubes de strip tease, o pole dance carrega em sua prática um certo preconceito. Foi com o intuito de desmistificá-lo que a empresária Vanessa Costa criou a Federação Brasileira de Pole Dance, em 2009.

— A ideia era que mais pessoas tivessem acesso ao melhor da modalidade. À medida que mais pessoas se informam, mais a prática se populariza. Acredito que todo preconceito vem da desinformação.Ele ainda existe, sim, embora seja menor. Trabalho para que as pessoas vejam os benefícios da prática em vez de classificá-la como uma atividade sensual, praticada apenas por diversão. A maior parte das nossas alunas procura algo que deixe o corpo em forma e proporcione bem-estar. Mas elas não querem as atividades comuns do dia a dia, como a musculação — diz Vanessa Costa.

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