7 de Setembro: Sem presidente, ato em SP encolhe e se torna palanque eleitoral

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira (7), dia da Independência, na avenida Paulista, em manifestação de apoio a Jair Bolsonaro (PL). Com chuva e sem a presença do presidente, o número de manifestantes ficou abaixo do observado no ano passado.

A menos de um mês das eleições, o clima de palanque dominou os discursos na maioria dos carros de som que foram espalhados ao longo de mais de 1km da avenida, localizada entre as zonas centrais e oeste da capital paulista. Candidatos a deputado estadual, federal, senador e até mesmo ao governo paulista escorados nas pautas do presidente marcaram presença.

Com a disputa eleitoral ofuscando a data do bicentenário da Independência do país, as cerimônias oficiais ficaram em segundo plano, enquanto os palanques em presença de manifestantes em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo deram o tom do feriado mais importante do país.

Os discursos de candidatos da base de apoio de Bolsonaro revezam com hinos militares e músicas adaptadas de canções famosas e entoadas pelos apoiadores que, repetindo o observado desde 2018, se agarraram às camisas verde amarelas da seleção brasileira e de apoio ao ex-capitão do Exército.

Em repetição ao ocorrido em 2021, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em especial Alexandre de Moraes, foram alvos de ataques dos manifestantes e discursantes. “Destituição é pouco para o Alexandre de Moraes, o que ele merece é prisão perpétua por atentar contra o povo brasileiro”, bradava Adrilles Jorge em um dos palanques mais ativos.

São Paulo, 7.set.2022: Milhares de pessoas se reúnem na tarde desta quarta-feira, (7), feriado da Independência do Brasil, na avenida Paulista - região central de São Paulo - em apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL)
São Paulo, 7.set.2022: Milhares de pessoas se reúnem na tarde desta quarta-feira, (7), feriado da Independência do Brasil, na avenida Paulista - região central de São Paulo - em apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL)

O ex-BBB e comentarista de televisão é atualmente candidato a deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), presidido até o ano passado por Roberto Jefferson, que atualmente cumpre prisão domiciliar por sua participação no inquérito dos atos antidemocráticos.

Ataques e ameaças

Mais cedo em Brasília, Bolsonaro discursou para um grande público na Esplanada dos Ministérios. Fez isso diante de uma multidão que deixava claro, em mensagens e cartazes expostos desde a véspera, o que a levava até ali. Uma das placas, por exemplo, pedia a destituição dos membros do STF, do TSE e do Congresso.

No dia em que o país celebrou os 200 anos do grito de D. Pedro 1º, o presidente tomou em mãos o microfone para bradar em público que é “imbrochável”. Em busca do voto das mulheres, o presidente apresentou a companheira, Michele Bolsonaro, como um troféu ao chamá-la de princesa e pediu para que os eleitores fizessem “várias comparações” entre as opções em jogo. “Até entre as primeiras-damas”, disse.

Mais cedo, durante café da manhã no Palácio da Alvorada, ao lado de parlamentares, ministros, empresários investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além do pastor Silas Malafaia, Bolsonaro voltou a ameaçar a democracia afirmando que a "história pode se repetir" ao citar momentos de ruptura democrática.

Em São Paulo, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) disse em carro de som Paulista esperar que esta seja a última vez que seja necessária a ida dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Tenho um sentimento de que talvez essa seja a última vez que seja necessário a gente voltar às ruas", afirmou ela, após mencionar o que considera intimidações sobre militantes de direita.

Sem entrar em detalhes, disse que entrará com uma denúncia contra ministros do STF na "Corte Internacional de Direitos Humanos", provavelmente se referindo à Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos). Ela mencionou a ação contra empresários aliados de Bolsonaro autorizada pelo STF.

A possibilidade de que o evento do 7 de Setembro resultasse em atos antidemocráticos chegou a motivar o ministro Alexandre de Moraes a determinar uma operação de busca e apreensão, no mês passado, contra oito empresários bolsonaristas que seriam suspeitos de financiar esses atos.

São Paulo, 7.set.2022: Milhares de pessoas se reúnem na tarde desta quarta-feira, (7), feriado da Independência do Brasil, na avenida Paulista - região central de São Paulo - em apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL)
São Paulo, 7.set.2022: Milhares de pessoas se reúnem na tarde desta quarta-feira, (7), feriado da Independência do Brasil, na avenida Paulista - região central de São Paulo - em apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL)