Opas adverte que sem prevenção Américas podem enfrentar maior pico da pandemia

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Dose da vacina CoronaVac pronta para ser aplicada em Santiago no Chile

A Organização Pan-americana da Saúde (Opas) alertou nesta quarta-feira (31) que os casos de covid-19 estão em alta nas Américas e que, sem ações de prevenção, existe o risco de que este pico seja pior que o enfrentado por muitos países no ano passado.

A diretora da Opas, Carissa Etienne, afirmou que existe um "aumento dos casos em toda a região, inclusive em lugares que pareciam ter contido ou evitado os surtos", e alertou que há um "risco real" de que este auge seja pior que o registrado no ano passado em muitos países.

"Sem medidas preventivas, a nossa região poderia enfrentar um auge maior o anterior", disse ela em coletiva de imprensa virtual.

Etienne informou que países como Paraguai, Uruguai e Cuba estão vivenciando neste ano surtos de magnitude maior do que os de 2020.

Desde 1º de janeiro de 2021, a OPAS contabilizou 19,7 milhões de casos de covid-19 e 472.000 mortes pela doença no continente.

A especialista alertou que em vários países o avanço da pandemia está "transbordando" os hospitais.

Segundo ela, em dois estados brasileiros a taxa de ocupação das unidades de terapia intensiva (UTI) estão acima de 80%, enquanto na Jamaica os centros estão operando "acima de sua capacidade".

"A mortalidade aumenta quando isso acontece, porque os pacientes têm dificuldades para encontrar os cuidados que precisam e os profissionais da saúde estão sobrecarregados atendendo muita gente ao mesmo tempo", disse Etienne.

A chefe da Opas pediu para todos os países ficarem em alerta. A "complacência leva a mais casos", enfatizou.

Etienne também ressaltou que não há vacinas suficientes para deter os surtos ativos e defendeu a prevenção.

“Quando as vacinas chegarem, faremos nosso trabalho para que sejam distribuídas da forma mais rápida e equitativa possível, mas agora não temos vacinas suficientes para impedir os surtos ativos”, disse ele.

- A variante P1 no Brasil -

Com relação à situação no Brasil, que em março fechou o pior mês da pandemia com 60.000 mortes e já soma 317.646 mortes, a OPAS destacou que o surto atual é resultado do aumento da transmissão após os deslocamentos de Natal e da época do feriado de carnaval.

“Gostaria de destacar que durante esses dois períodos a implementação de medidas de saúde pública foi abaixo do ideal na maior parte do território brasileiro”, disse o Dr. Sylvain Aldighieri, gerente de incidentes da OPAS.

Para o especialista, isso levou a uma ampliação da transmissão e a uma dispersão geográfica, e também apontou que a circulação da variante local P1 contribui para o aumento dos casos.

“Observamos que a variante P1 parece ser mais transmissível”, disse Aldighieri, que indicou que essa variante está circulando na Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Panamá, Venezuela, Guiana Francesa, México, Estados Unidos, Canadá e nos territórios do Caribe francês e holandês.

No entanto, o especialista destacou que as mesmas medidas utilizadas no ano passado continuam a funcionar contra esta variante.

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