Sem previsão para acabar obras da Linha 4, intervenção para estabilizar Estação do Metrô da Gávea atrasa em um ano

Luiz Ernesto Magalhães
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RIO — Submersa desde 2018 em 36 milhões de litros de água e à espera de intervenções de engenharia que garantam que não venha a ser um risco estrutural para a PUC e os prédios no entorno, o canteiro da futura estação do Metrô da Gávea, parado desde 2015, deveria ter voltado a ter a movimentação de operários desde fevereiro. No entanto, o cronograma de intervenções para estabilizar o local, apresentado em 2020 ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) atrasou e muito. O projeto detalhando as intervenções sequer foi licitado, e a obra ficará para 2022. A intervenção será necessária no "piscinão" porque não há prazo para retomar as obras de conclusão da Linha 4.

Finalmente, nesta quarta-feira, a Riotrilhos marcou para 22 de junho uma licitação para realizar os estudos técnicos que detalharão as técnicas de engenharia para estabilizar a licitação. O prazo para conclusão dos estudos é de 180 dias — empurrando a entrega dos planos para o fim do ano. O valor da licitação, por técnica e preço, não foi divulgado porque a obra será pelo sistema do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), modalidade regulamentada por lei federal para serviços de grande complexidade técnica.

Enquanto as intervenções não são feitas, o tempo passa. Independentemente de obras para concluir a Linha 4, o canteiro precisa ser esvazaiado a cada cinco anos (o prazo para isso é 2023) para avaliar as condições estruturais. Entre especialistas, não há consenso sobre a segurança do canteiro, em especial para a integridade dos prédios no entorno — inclusive de parte da PUC— apesar da existência de sensores instalados no canteiro que podem detectar qualquer movimento do terreno. Quando a obra estava em pleno vapor, alguns imóveis próximos chegaram a apresentar pequenas rachaduras, mas sem comprometimento, que foram reparados.

— O ideal é que a obra seja retomada como projetada. Entendo que hoje não dá para assegurar que os tirantes que sustentam a estrutura estão íntegros. O tempo de vida útil estimado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas é de dois anos. Ou seja, já expirou — diz o presidente da Academia Nacional de Engenharia, Francis Bogossian.

Mas o professor de Engenharia Geotécnica da Coppe/UFRJ, Maurício Ehrlich, não vê riscos imediatos:

— O maior problema para essas estruturas seria a corrosão. Mas para ter corrosão não basta apenas ter água. Mas oxigênio também. Dificilmente nas partes mais fundas haveria oxigênio suficiente para comprometer a estrutura. Nos trechos mais superficiais, pode ser que haja corrosão. Isso poderia ser avaliado sem o esvaziamento completo — disse Maurício, destacando que opinou sem ter acesso ao local.