Sem provas, Bolsonaro volta a falar de fraude em 2018: 'Tinha gente que apertava o 17 e ia o 13'

João de Mari
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Bolsonaro é cercado por apoiadores ao chegar para votar no Rio (Foto: Reprodução/Globo News)
Bolsonaro é cercado por apoiadores ao chegar para votar no Rio (Foto: Reprodução/Globo News)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar sobre fraudes nas eleições. Na manhã deste domingo (29), após votar no segundo turno das eleições 2020 e causar aglomeração, tirar selfies e tirar a máscara em meio aos apoiadores que o seguiam na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ele disse que no pleito de 2018 “tinha gente que apertava o 17 e ia o 13”.

“Na minha eleição, em 2018, só entendo que fui eleito porque tive muitos votos. Tinha reclamações que o carinha votava no 17 e não conseguia votar, mas votava no 13. Vão querer que eu prove, é sempre assim, mas o que acontecia em muitas seções: colocavam um pingo de cola na tecla 7 e a pessoa não votava no 17”, declarou.

O presidente referia-se ao seu antigo número nas urnas, pelo partido PSL, e ao número do PT.

Em sua fala, Bolsonaro afirmou que votou no atual prefeito e candidato à reeleição Marcelo Crivella (Republicanos) e também voltou a defender o voto impresso para “reduzir fraudes”.

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“Eu votei no Crivella e todo mundo sabe disso. Espero que nós possamos ter em 2022 um sistema seguro que possa dar garantias ao eleitor de que em que ele votou o voto efetivamente foi para aquela pessoa. A questão do voto impresso é uma necessidade e isso está na boca do povo”, declarou.

“Não adianta bater no peito e dizer que é seguro, porque não tem como comprovar”, concluiu. O presidente, no entanto, não apresentou provas para as acusações.

Urna eletrônica é segura?

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adota uma série de procedimentos, rotinas e verificações abertas a todos os interessados para garantir a segurança do processo de votação.

A maior parte dos especialistas concorda que a segurança das votações aumentou desde a adoção da urna eletrônica, e as últimas eleições não foram atingidas por nenhuma alegação séria de fraude. O TSE realiza duas auditorias nas urnas antes do pleito.

Na auditoria de funcionamento em condições normais de uso, urnas eletrônicas já preparadas para a votação oficial são sorteadas aleatoriamente em todo o país para que sejam submetidas - em local público e sob a fiscalização de partidos, entidades e qualquer cidadão interessado - a uma votação simulada, com as mesmas condições de uma seção eleitoral oficial.

Já a auditoria de verificação da autenticidade e integridade dos sistemas possibilita que partidos, entidades e cidadãos interessados verifiquem se as assinaturas digitais dos sistemas instalados nas urnas eletrônicas conferem com as assinaturas digitais dos sistemas lacrados em cerimônia pública no TSE.

Essa auditoria é realizada imediatamente antes da votação oficial, em seções eleitorais sorteadas na véspera da eleição.

Eleições no Rio de Janeiro

Segundo maior colégio eleitoral do Brasil com praticamente 5 milhões de eleitores aptos, o Rio de Janeiro viverá a disputa de um ex-prefeito contra o atual mandatário da cidade, protagonizada por Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos).

Paes, ex-prefeito da capital do Rio, teve problemas com sua candidatura antes de oficializá-la, mas nas pesquisas esteve sempre na liderança para o primeiro turno, no qual terminou com 37.01% dos votos válidos.

Já o atual prefeito Crivella teve uma campanha bem apagada, ameaçada em alguns poucos momentos por Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT). Após chegar a 21,9% dos votos válidos, ele tenta agora mais quatro anos à frente da prefeitura.

Entenda o segundo turno

Para assumir a prefeitura no 1º turno, o candidato precisaria obter maioria absoluta - 50% mais um - dos votos válidos. Votos brancos e nulos não entram nessa conta.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) esclarece que essa condição da existência do 2º turno é válida somente às cidades com mais de 200 mil eleitores.

Essa regra está prevista nos artigos 28 e 29 da Constituição de 1988, determinando, além do limite mínimo de habitantes, que o “segundo turno poderá ocorrer apenas nas eleições para presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores dos estados e do Distrito Federal, e para prefeitos e vice-prefeitos.”

Nas eleições de 2016 havia 92 municípios com mais de 200 mil eleitores. Já em 2020, outras três cidades alcançaram o número de habitantes mínimo. São elas: Ribeirão das Neves (MG), Paulista (PE) e Petrolina (PE). Sendo assim, nas eleições 2020, 95 municípios poderão ter um segundo turno para prefeito e vice-prefeito.

Eleições municipais em todo país

As Eleições 2020 moveram praticamente todo país neste domingo. Por conta do coronavírus, essa foi uma eleição diferente, com horários estendidos e mais critérios de segurança sanitária.

Uma questão que levanta muitas dúvidas ao longo processo é o famoso coeficiente eleitoral. Bem resumidamente, é a divisão do número de eleitores pelo número de vagas (nós explicamos com detalhes AQUI). Cada cidade, então, tem seu coeficiente eleitoral.

Caso não esteja presente na cidade onde você está apto para votar, é possível justificar seu voto. Para saber como, siga nosso guia clicando AQUI.

O que faz um prefeito?

O Estado se divide em três poderes o Executivo, Legislativo e Judiciário, e o prefeito é o chefe do Poder Executivo. Ou seja, é responsabilidade do prefeito administrar a cidade que exerce suas funções. Para mais detalhes da função CLIQUE AQUI e para saber quanto ganha um prefeito, CLIQUE AQUI.