Sem repasse prometido pela prefeitura, escolas de samba da Intendente Magalhães compram fiado e fazem vaquinha

Renan Rodrigues e Priscilla Aguiar
O prefeito Marcelo Crivella posa com o cheque simbólico para as escolas que desfilam no carnaval da Intendente Magalhães

RIO — As escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, em Campinho, ainda não receberam a verba prometida pelo prefeito Marcelo Crivella. Em outubro, em solenidade no Palácio da Cidade, em Botafogo, Crivella entregou um cheque simbólico de R$ 3 milhões para as agremiações. No entanto, de acordo com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil (Liesb), Clayton Ferreira, até o momento nenhuma escola viu a cor do dinheiro.

A Liesb é responsável pelos desfiles das séries B, C e D, que não cobram ingressos. O valor prometido pelo município é o triplo do repassado no ano passado.

Segundo Ferreira, há uma reunião prevista para esta segunda-feira com representantes da Riotur.

— Estamos em busca de uma data. São 50 escolas que dependem exclusivamente do dinheiro público. Mas, mesmo com as dificuldades, nenhuma está parada ou ameaçada de não desfilar. Todas se preparam como podem. A maioria utiliza carta de crédito com fornecedores.

No entanto, o presidente da Botafogo Samba Clube, Sandro Lima, afirma que, como algumas escolas deixaram de pagar a fornecedores em anos anteriores, muitas não têm conseguido empréstimos.

Lima diz que, apesar de ainda não ter recebido os recursos, sua agremiação já está com 80% do carnaval pronto e que lançou uma vaquinha na internet para ajudar a custear o restante.

O GLOBO questionou a Secretaria municipal de Fazenda sobre se há previsão para que o dinheiro seja liberado, mas a pasta não respondeu.

Além da questão financeira, as escolas enfrentam um impasse político: das 13 escolas da Série B, seis estão filiadas à Liesb enquanto outras sete, insatisfeitas com julgamentos no carnaval, migraram para uma nova liga: a Livres.