Sem respiradores, Macapá tenta manter pacientes vivos com equipamento manual

JOÃO VALADARES

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O prefeito de Macapá, Clécio Luis (Rede), informou na noite desta quarta-feira (20) que o sistema de saúde do município entrou em colapso. A situação, de acordo com ele, é dramática. Há pacientes mantidos vivos apenas com respiradores manuais por falta de equipamentos e leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

"As nossas unidades estão lotadas. Não há respirador. Em alguns casos, estamos usando um aparelho chamado ambu para fazer uma ventilação manual, que não é adequada. É um equipamento usado apenas para socorro imediato", disse o prefeito.

Ele comunicou que há 26 doentes internados em unidades saúde de atenção básica da rede municipal à espera de um leito de UTI.

O prefeito afirmou que o município não tem condições de atender à demanda crescente de pacientes. Afirma que têm morrido doentes nas unidades de saúde antes de conseguirem acessar um leito de UTI na rede estadual. "Hoje mesmo morreu um sem conseguir ser transferido."

Todo o estado do Amapá tem 800 mil habitantes. Só em Macapá, vivem 500 mil pessoas. O Amapá é o estado com maior incidência do coronavírus. Foram confirmados 4.459 casos de pessoas infectadas e 142 mortes. Em Macapá, são 2.912 testes positivos e 82 óbitos.

O prefeito afirma que não há médicos suficientes para a quantidade de pacientes. Duas mil pessoas com sintomas da Covid-19 procuram a rede municipal de saúde todos os dias. A capital amapaense não dispõe de leitos de terapia intensiva.

"Fizemos um chamamento inicial para 120 médicos. Não apareceu ninguém. Agora, oferecemos R$ 1.200 para um plantão de seis horas. Até o momento, 33 se inscreveram, mas só 6 médicos se apresentaram", conta.

Há três cemitérios públicos na cidade. Em janeiro, ocorram 199 sepultamentos. Em fevereiro, 197. "Em março, já tivemos 225, mesmo sem morte oficialmente reconhecida por Covid-19. Em abril, o número saltou para 295 e, em maio, já temos 349 pessoas sepultadas", destacou o prefeito.

A prefeitura precisou abrir uma área em um dos cemitérios com 350 covas. "Neste momento, só temos 148", alega Clécio.

Ele diz que a orientação da prefeitura é para os moradores procurarem as unidades tão logo sintam os primeiros sintomas. "O doente vai ser diagnosticado, vai fazer o exame e entraremos com a medicação."

O governo do Amapá comunicou que a rede estadual conta com cinco centros de atendimento exclusivos para pacientes com a Covid-19. Nestes locais, há 157 vagas.

O Amapá não detalhou a quantidade de leitos de UTI e nem a taxa de ocupação.

Informou apenas que houve ampliação de vagas no centro Covid-3, localizado no município de Santana. A unidade passou de 15 para 42 leitos, sendo 26 de UTI e 16 de enfermaria.