Sem respostas, CPI da Covid opta por prisão e cria mais perguntas

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O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias foi preso acusado de falso testemunho e depois de não dar respostas que deixaram satisfeitos os integrantes da CPI da Covid no Senado. Demitido após ser acusado de cobrar propina para a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo policial militar Luiz Dominghetti, Dias afirmou que não negociava vacinas, responsabilidade que seria de Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério na gestão de Eduardo Pauzello. O jantar em que teria havido o pedido de propina, segundo Dominghetti, foi apenas um chope, em que ambos se encontraram por acaso, apresentados por uma terceira pessoa, na versão de Dias.

O chope (ou jantar) teria sido a primeira vez em que os dois se encontraram, de acordo com Dias, que chamou Dominghetti de "picareta", apoiado inclusive no fato de que, na própria CPI, o PM que tentava ser representante comercial apresentou uma gravação para acusar de corrupção o deputado Luis Miranda (DEM-DF). Miranda foi quem denunciou, com o irmão, Luis Ricardo Miranda, pressão indevida para fechar a compra de vacinas Covaxin indianas pelo ministério. A validade do áudio como prova foi desmentida durante a própria audiência com o PM mineiro.

Foram áudios retirados do telefone celular de Dominghetti, apreendido depois de sua primeira trapalhada, que basearam a ordem de prisão do ex-diretor de Logística pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Mas nos áudios, o policial militar conversava com outras pessoas, como um certo Rafael, demonstrando proximidade com o então diretor de logística. E não com o próprio Dias. Se Dominghetti apresentou um áudio inválido para os senadores, por que não mentiria para este Rafael sobre sua proximidade com um funcionário do Ministério da Saúde e as chances de sucesso de um negócio que não avançou?

A pergunta sobre o PM é uma das levantadas a partir da prisão. Uma outra é se Dominghetti e Dias se encontraram realmente por puro acaso naquele jantar que era chope, dependendo de quem conta a história. Outra: se Dias pode ser preso porque uma versão de Dominghetti passada a um outro interlocutor vale como prova de mentir em testemunho, por que o PM não foi preso ao apresentar uma prova falsa? Além disso, por que o ex-diretor de Logística se dispôs a receber no ministério o PM vendedor, se negociar vacinas não era com ele? Dias fez um dossiê, como disse Aziz, para se proteger, com mais informações que estaria omitindo à CPI?

E outra pergunta, que pode atrapalhar na resposta de todas as anteriores: com essa prisão, futuros convocados à CPI podem recorrer à Justiça para não só não responderem aos questionamentos, mas não irem depor, alegando que se os senadores não ouvirem o que quiserem, mandarão prendê-los? Esse temor pode estar na cabeça de integrantes da oposição na comissão que não concordaram com a prisão.

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